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Ciclovias em Porto Alegre apresentam desafios aos frequentadores e falta de uniformidade

Pontos bem sinalizados contrastam com trechos ainda destruídos devido às enchentes

Capital hoje tem 95,33 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas
Capital hoje tem 95,33 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas Foto : Camila Cunha

Hoje com 95,33 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, Porto Alegre possui uma relação intrínseca e histórica com a bicicleta, modal que registra cerca de 25 mil deslocamentos diários pela cidade, de acordo com estimativas da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Com a maioria de sua malha na área central e trechos instituídos nas demais zonas, a infraestrutura cicloviária na Capital não é uniforme. Pontos há pouco inaugurados e bem sinalizados, como na Wenceslau Escobar, contrastam com lugares destruídos e carecendo de reformas estruturais.

Um exemplo é o trecho da avenida Ipiranga, cujos taludes junto ao Arroio Dilúvio foram severamente danificados após as enchentes de 2024. O Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) de Porto Alegre, prevendo 400 quilômetros de vias para bicicletas existe desde 2009, e no ano passado, a EPTC disse que pretendia fazer uma “grande revisão” nele em 2026, eventualmente contratando uma consultoria para isto. Mas agora isto não deverá mais acontecer, ao menos por enquanto.

“O plano não é de metas, mas de diretrizes. O avanço não depende da revisão do plano. Quando falamos de revisá-lo, talvez fosse o caso de revisar os caminhos por onde eles foram traçados. Não precisa uma grande revisão para isto”, disse o coordenador de Mobilidade Ativa da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), João Paulo Cardoso Joaquim.

Segundo ele, o sistema, que avançou 33,3 quilômetros entre 2021 e 2025, ganhou eficiência com, por exemplo, o uso de dados de deslocamentos com bicicletas e patinetes compartilhadas, algo que não havia em 2009. Com efeito, segundo Joaquim, permite atuar fortemente nos locais onde mais pessoas circulam. Questionado sobre possíveis novos avanços na implementação de ciclovias, ele disse que o principal foco é terminar a rota da avenida Sertório.

Conforme o mapa da Infraestrutura da Mobilidade da EPTC, a via tem dois pontos próprios para bicicletas: um entre as avenidas General Raphael Zippin e Assis Brasil, no bairro Sarandi, com 736 metros, implantado em 2021; e outro entre a Dona Alzira e o Centro de Operações Postais dos Correios, com 1.872 metros, de 2025. “Não estamos tão preocupados com números, mas mais com o atendimento da estrutura”, acrescentou ele.

A auxiliar de inclusão e estudante de Pedagogia Bruna Gre Marques, 36 anos, é usuária frequente das ciclovias em Porto Alegre, e contou ter passado a utilizar mais o modal a partir da pandemia da Covid-19. Conforme ela, estas estruturas na Capital “sempre foram um problema”, mas a situação se degradou de alguns anos para cá.

“O que visivelmente fica mais aparente é a ciclovia da Ipiranga: desde antes das enchentes ela já estava largada, mas com a enchente piorou bastante. Hoje é inviável de andar nela”. Outro ponto destacado pela moradora é a ciclovia da rua Mariante, onde, recentemente, uma parte da antiga marcação para bicicletas recebeu novo asfalto, tornando o trajeto sobre duas rodas inseguro. O servidor da Justiça Evandir Franco, 55 anos, contou ser ciclista há 40 anos. Ele disse concordar que a situação das ciclovias ficou pior na Capital.

“Acredito que a da Ipiranga esteja bem deteriorada mesmo”, pontuou. A EPTC afirma que as obras de recomposição da contenção na Ipiranga, sob responsabilidade do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), estão em “estágio avançado”. Diversas audiências públicas foram e são conduzidas na Câmara Municipal com objetivo de discutir a situação dos ciclistas, especialmente no âmbito da Comissão de Urbanismo, Transportes e Habitação (Cuthab).

Membro da comissão e autor de duas emendas aprovadas ao recente Plano Diretor, relacionadas à revisão de ciclovias, ciclofaixas e corredores exclusivos de ônibus ociosos, o vereador José Freitas disse defender que Porto Alegre “tenha uma mobilidade urbana planejada, eficiente e segura para ciclistas, pedestres, motoristas e usuários do transporte coletivo”.

“Para garantir que essas diretrizes sejam efetivamente aplicadas, apresentei projeto de lei que prevê estudos de necessidade, impacto viário e definição adequada dos locais antes da implantação de novas estruturas. Revisar não significa acabar com o que funciona, mas corrigir problemas e evitar desperdício de dinheiro público”, afirmou Freitas. O assunto tramita nas comissões do Legislativo.

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