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Com casos de dengue em alta, Porto Alegre convive com focos de lixo e nascedouros do Aedes aegypti

Lixo e água parada podem ser vistos em vários locais, em que pese trabalho dos agentes para combater o vetor da doença

Nascedouros de Aedes aegypti pela cidade
Nascedouros de Aedes aegypti pela cidade Foto : Camila Cunha

O ano de 2025 prossegue crítico em Porto Alegre com relação aos casos de dengue, bem como à proliferação do Aedes aegypti. Conforme dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), o índice medidor da presença de fêmeas do mosquito transmissor da doença alcançou 0,89, acima dos níveis de alerta e da primeira semana deste ano, quando estava em 0,84.

A Diretoria de Vigilância em Saúde (DVS) da SMS já havia alertado, nos primeiros dias de janeiro, para a possibilidade de 2025 ser um ano de novos recordes, superando 2024, que já foi de números nunca antes vistos na cidade. Os dados mostram que esta já é a tendência: nos 15 primeiros dias do ano passado, houve 16 casos confirmados em Porto Alegre, enquanto no mesmo período de 2025, já são 40. Já as notificações foram menos, 282 em neste ano contra 305 nos primeiros 15 dias de 2024.

Os locais onde as larvas são depositadas e se transformam em mosquitos são bem conhecidos, como água parada e limpa em reservatórios. Não é difícil encontrá-los pela cidade, especialmente em lugares onde o número de coletas é ainda mais alto. Em comum, estes locais apresentam grande quantidade de lixo espalhado e pouco cuidado. No entorno da Praça Athos Damasceno Ferreira, entre os bairros Auxiliadora, Moinhos de Vento e Floresta, o mapa da plataforma Onde Está o Aedes?, desenvolvido pela Prefeitura, coletou oito Aedes aegypti fêmeas em apenas uma armadilha, um dos maiores índices da cidade.

O assador Rodeni da Luz, que trabalha há 12 anos em uma casa de carnes no entorno, disse que os agentes responsáveis pela inspeção dos mosquitos vão ao local cerca de uma vez por mês, e que ele mesmo procura cuidar de seu lugar de trabalho. “Não ouvi falar de casos de dengue por aqui, mas vou cuidar”, salientou ele. A região tem prédios públicos pelo entorno, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No polígono entre as ruas 20 de Setembro, Visconde do Herval e Botafogo, foram nove coletas. Zelador de um edifício nesta área, Roberto de Borges Lemos diz que a presença do lixo preocupa e pode estar causando a grande presença do mosquito da dengue. “Estas esquinas estão sempre repletas de entulhos”, observou ele, apontando para uma residência em estado de abandono, mas que tem dono, porém ele aparece pouco. Ali, há ratos e seu exterior é usado como moradia de pessoas em situação de rua.

Na região das ruas Banco da Província e Banco Inglês, no Santa Tereza, houve cinco coletas recentes, de acordo com a plataforma. Há um terreno baldio em frente a um condomínio, e o lixo toma conta das calçadas. Tonéis, garrafas e potes foram vistos com água parada. “Tínhamos muitos pneus aqui, e enchemos de areia por orientação do pessoal que vem fazer a inspeção. Quanto ao lixo, as equipes até vêm recolher, mas logo atrás alguém vem e descarta na rua de novo”, lamenta a caseira Ana Paula Luz, moradora da região.

Para a enfermeira Raquel Rosa, responsável pela vigilância da dengue na DVS, neste momento é importante que todas as notificações de suspeitas sejam formalizadas ao setor por serviços de saúde. Segundo ela, todas as pessoas com sintomas como febre acima de 38ºC acompanhada de dor de cabeça e dores no corpo devem procurar atendimento. “Febre, dor no corpo e dor de cabeça foram os principais sintomas relatados em 2024 por pessoas com confirmação de dengue”, diz a profissional clínica. Pessoas que viajaram antes de sentir os sintomas devem informar a viagem no atendimento médico.