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Como funciona a batimetria que irá avaliar a profundidade do Guaíba

Objetivo é identificar pontos críticos de acúmulo de sedimentos e outras alterações, avaliando a necessidade de desassoreamento. Serão 512 quilômetros percorridos em ação coordenada pela Sema

Em um barco, um ecobatímetro instalado na embarcação e um GPS integrado farão esse levantamento
Em um barco, um ecobatímetro instalado na embarcação e um GPS integrado farão esse levantamento Foto : Camila Cunha

O governo do Estado iniciou nesta quarta-feira, dia 9, a batimetria, processo que visa fazer um levantamento para avaliar a profundidade de relevos submersos e identificar pontos críticos de acúmulo de sedimentos, para avaliar a necessidade de desassoreamento. O corpo hídrico faz parte dos quatro blocos em que serão feitos os serviços, que integra o Eixo 2 do programa Desassorear RS do Plano Rio Grande. Serão 512 quilômetros percorridos no Guaíba, com investimento de R$ 2,5 milhões para a área. A ação, coordenada pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), ocorre após ordem de início assinada em 30 de maio e anunciada pelo governador Eduardo Leite no dia 4 de junho. O serviço será realizado pelos consórcios STE e Aerogeo e deve durar seis meses.

Como funciona

A batimetria, que envolve as medições detalhadas do relevo submerso dos rios, busca mapear e identificar alterações causadas por eventos como as enchentes. Em um barco, um ecobatímetro instalado na embarcação e um GPS integrado farão esse levantamento. Enquanto o ecobatímetro mede a profundidade da lâmina de água, o GPS fornece a posição e a altitude. No procedimento, após um sinal ser emitido em direção ao fundo do rio ou lago, calcula-se o tempo de retorno para determinar a profundidade.

No planejamento feito pela Sema, será feita, a cada 200 metros de navegação, uma sessão de forma digital, com cota e coordenada. O desenho deve captar margem seca de 100 metros mais a profundidade do corpo d’água em toda a sua extensão. Na prática, o desenho deve evidenciar como é a calha sem água. Haverá, também, scanner a laser por meio de um avião, que deve captar cada metro quadrado do corpo hídrico. “Eles integrados fornecem a posição e a cota do fundo do rio. Isso permite fazer o desenho da calha do rio em toda a sua extensão. E na margem seca, vão ser feitos mais 100 metros com topografia”, explica Milton Dupont, engenheiro de Produção e Civil e sócio da Aerogel, um dos consórcios que farão a batimetria.

Os relatórios do levantamento serão entregues mês a mês. A pasta prevê que, para o Guaíba, já haverá um relatório ainda em agosto, e a previsão é de que as avaliações após a conclusão do processo sejam feitas ainda no segundo semestre deste ano.

Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, salientou que o processo de batimetria, que já iniciou em pequenos recursos hídricos e agora está sendo executado concomitantemente em rios de grande porte, é apenas um processo dentro de outros, e que o objetivo é verificar e ter assertividade na eficiência para drenagem, entendendo se existem pontos importantes de acúmulo que estão represando a água. “Assim que a gente for recebendo esses dados, já podemos começar os estudos de modelagem, estudos finais que vão definir a efetividade de se fazer ou não a dragagem”, afirma.

O processo também poderá identificar acúmulos de sedimentos e formações naturais formadas após a enchente, visando verificar se esses sedimentos estão posicionados em algum local que tenha tornado a permanência da água por um período maior na região Metropolitana. “Ela vai dar uma leitura do leito do rio e com a modelagem e principalmente os volumes de chuva e a água que passa pelos recursos hídricos, a gente consegue identificar se tem algum local que nós poderíamos melhorar o fluxo ou não”.

Se identificada necessidade, ação de dragagem será precedida de licenciamento ambiental

A secretária ressalta que as áreas prioritárias foram definidas de acordo com a sequência dos eventos extremos, e que, ao ser identificada a necessidade de dragagem em algum ponto, a ação vai preceder de licenciamento ambiental. “Todos os os preceitos ambientais estarão e serão resguardados com relação ao que ocorreu nas margens”, assegura Kauffmann.

A secretária defende que o processo dará mais segurança técnica ao processo e para buscar diferentes soluções, inclusive para o estudo geral da bacia e da região hidrológica e hidrográfica do Guaíba, uma das mais afetadas pela enchente de 2024.

“Quando a gente fala de dragagem, a gente vai estar influenciando em várias dinâmicas dos recursos hídricos. E nós sabemos que a nossa busca é para que a gente tenha a solução não para esse momento, mas para que a gente tenha soluções definitivas”, afirma.

Enquanto as empresas de navegação executam batimetria apenas nos canais de navegação, com o objetivo de manter o calado do canal para permitir a navegação, a batimetria no Guaíba será feita de margem a margem, percorrendo também parte da superfície, explica a secretária. “O objetivo delas é manter o calado. Nosso objetivo é verificar se a drenagem e o escoamento dessas águas pluviais está sendo prejudicado ou não”, completa.

Caso confirmado que não compensaria fazer uma dragagem, Kaufmann salientou que, dentro do plano Rio Grande, há diferentes frentes para alternativas para se pensar em soluções aos territórios, que, entre elas, envolvem estudo das revisões do plano diretor, revisão dos planos de drenagem urbana, e atualização dos planos de contingência.

Os serviços de batimetria serão efetuados em quatro blocos, nas bacias da região Metropolitana de Porto Alegre, Taquari-Antas, Baixo Jacuí e Guaíba, as mais afetadas pela enchente de 2024. No rio Taquari, em Triunfo, o trabalho de campo começou na segunda-feira. O investimento total é de R$ 45,9 milhões, voltado aos rios de grande porte. Estão sendo contemplados 2.589 quilômetros, abrangendo, além do Guaíba, também as bacias hidrográficas de Vacacaí-Mirim, Sinos, Jacuí, Caí, Pardo, Jacuí, Gravataí e Taquari-Antas.

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