Cidades

Conferência em Porto Alegre discute o legado da imigração italiana no Rio Grande do Sul

Serão dois dias de encontro, promovido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Serão dois dias de debates na PUCRS
Serão dois dias de debates na PUCRS Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória

Dando sequência às festividades pela passagem dos 150 anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul, Porto Alegre recebe, a partir desta terça-feira um seminário internacional para marcar a data e debater o legado histórico e cultural a partir da chegada das primeiras famílias ao Estado.

Serão dois dias de encontro, promovido pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Hoje, as atividades começaram no início da tarde. Após a abertura oficial ocorreu a primeira mesa de debates, com a participação do o professor do curso de História na graduação e na pós-graduação da PUCRS, doutor Antônio Ruggiero e dos professores Luis Fernando Beneduzi, da Universidade Ca’ Foscari de Veneza; Maria Catarina Zanini, da UFSM; Vicente Dalla Chiesa, da PUCRS, e da professora e pesquisadora Vania Herédia.

Ruggiero focou sua fala no que chamou de mito de origem da italianidade do imigrante. Abordou ainda detalhes históricos de álbuns comemorativos dos 50 anos e do centenário da imigração italiana no RS.

“Como vocês sabem, a história política conturbada do Rio Grande do Sul fez que nos anos da nacionalização em particular, final da década de 1930, muitas dessas obras publicadas em língua italiana, e este álbum era publicado em língua italiana, se perderam. Em 2000, tivemos uma republicação do álbum de 1925, publicação que se tornou uma fonte preciosa de informações. É a partir desse álbum que se começa a construir uma imagem da italianidade, do italiano, do migrante italiano, que é sempre colocado como um colono industrioso, portador de uma nova dimensão civilizadora que dialogava com a ética do trabalho.

O pesquisador abordou ainda o papel do revolucionário Giuseppe Garibaldi, figura central da Revolução Farroupilha, na construção da imagem italiana.

“Há uma ligação muito forte com aquilo que é um mito de origem da italianidade do migrante do Sul, o Garibaldi. A literatura gaúcha dá a Garibaldi o título de herói dos dois mundos (Itália e Brasil)", detalhou.

A alcunha reflete a dedicação à luta por liberdade e independência, tendo sido um líder militar e revolucionário em diferentes contextos históricos, de acordo com o Ruggiero.

As atividades continuam nesta quarta-feira, com mesa sobre aspectos culturais da Imigração italiana no Rio Grande do Sul, coordenada pelo professor doutor Leonardo Conedera, da UFPEL, e simpósios temáticos.

História

  • O marco oficial da chegada das primeiras famílias a Nova Milano, atual Farroupilha, foi maio de 1875. Os grupos pioneiros são oriundos do programa de colonização agrícola iniciado na Serra gaúcha.
  • Até os primeiros anos do século 20, em torno de 100 mil peninsulares compraram lotes de terra e deram vida aos primeiros núcleos da chamada “Região Colonial Italiana”, hoje verdadeiros centros urbanos com vocação também industrial que preservaram a identidade cultural de origem italiana trazida pelos descendentes europeus.
  • Paralelamente à colonização agrícola, inúmeros imigrantes “espontâneos” italianos mudaram para a capital Porto Alegre, e para os principais centros urbanos da fronteira argentina e uruguaia.