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Conheça os projetos para adaptação climática e quais estão funcionando em Porto Alegre após cheia de 2024

Desde a enchente histórica do ano passado, prefeitura de Porto Alegre investiu R$ 25,8 milhões em adaptação climática e ampliação de monitoramento

No Sarandi, poucos metros distante da obra do dique, um totem auxilia no monitoramento de riscos climáticos
No Sarandi, poucos metros distante da obra do dique, um totem auxilia no monitoramento de riscos climáticos Foto : Pedro Piegas

A maior tragédia climática enfrentada no Rio Grande do Sul faz o poder público concentrar esforços na ampliação e qualificação das ações de monitoramento de eventos climáticos extremos. De acordo com a prefeitura, desde a cheia de 2024, Porto Alegre tem realizado o investimento de R$ 25,8 milhões em diversos projeto de adaptação climática, através do Programa Porto Alegre Forte.

Entre as principais iniciativas em funcionamento para adaptação climática da cidade estão: a implementação de um sistema de medição, monitoramento e alerta para riscos climáticos; o monitoramento meteorológico, hidrológico e geológico; a revitalização do posto de comando móvel da Defesa Civil Municipal; melhorias no sistema de proteção contra cheias; e o monitoramento da qualidade do ar.

O foco, de acordo com o município, tem sido o fortalecimento de processos e fluxos contínuos de prevenção, preparação, mitigação, resposta e reconstrução. Além destas iniciativas, a prefeitura, através do Escritório da Reconstrução, atua na elaboração de outros dois projetos: o monitoramento de nível da água de corpos hídricos via satélite; e o monitoramento de descargas atmosféricas, com o objetivo de fornecer dados em tempo real, incluindo a instalação e manutenção de sensor local.

Outras iniciativas em andamento são a atualização do Plano de Contingência, que é um instrumento de apoio técnico para gestão e redução de riscos e preparação da população em momentos de desastre, como a definição de rotas de fuga, centros de abrigo, centros de doações e logística de transporte, e a finalização do Plano de Preparação e Mitigação de Desastres Climáticos. A previsão é finalizar ambos documentos em setembro deste ano.

A diretora de Sustentabilidade da Secretaria Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e coordenadora de Adaptação Climática do Escritório de Reconstrução de Porto Alegre, Rovana Reale Bortoloni, explica que os investimentos fazem parte de um sistema integrado em funcionamento para a prevenção, mitigação e resposta a eventos climáticos. Além dos projetos citados, outras iniciativas também fazem parte do eixo de adaptação climática da Capital, como o viveiro municipal, que somam os cerca de R$ 25,8 milhões investidos.

“É uma grande central estratégica de gestão e monitoramento para os riscos climáticos. Isso auxilia tanto a Defesa Civil quanto as secretarias. Toda essa tecnologia implementada gera uma série de dados que auxilia na tomada de decisão. Já tivemos situações em que a Defesa Civil recebeu a informação e foi correndo auxiliar a população, por exemplo, em áreas onde o arroio estava subindo rapidamente. Tudo isso auxilia nos protocolos da Defesa Civil”, afirmou.

Rovana detalhou também o trabalho de atualização do Plano de Contingência da Capital. “Através do Escritório de Reconstrução, fizemos a atualização do plano. Ele já foi entregue e agora depende apendas da avaliação final. É um plano que vai mostrar como vai ocorrer a operação em caso de desastre. Ou seja, temos atuado em todas as frentes, da estratégia, da tecnologia e da operação”, completou a coordenadora.

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Conheça os principais projetos para adaptação climática da cidade:

Sistema de Medição, Monitoramento e Alerta para Riscos Climáticos

Com investimento de R$ 2,444 milhões, trata-se de um sistema eletrônico de monitoramento e alerta para riscos climáticos, que integra a rede de preparação e resposta da cidade a eventos extremos. O sistema é composto por dez totens inteligentes, instalados estrategicamente em diferentes regiões da Capital, que funcionam como estações meteorológicas de alta tecnologia.

Esses equipamentos realizam medições precisas de chuva (por sensores ópticos), velocidade e direção do vento (via ultrassom), temperatura, umidade, pressão atmosférica, qualidade do ar e radiação solar. Além disso, possuem a capacidade de detectar vibrações no solo de forma digital, contribuindo para o acompanhamento de possíveis riscos geológicos.

Cada totem é equipado com câmeras de 360°, alto-falantes potentes para mensagens ao vivo ou automáticas, além de sirenes e sinalizadores luminosos para emitir alertas de emergência. Iniciativa em funcionamento.

Monitoramento Meteorológico, Hidrológico e Geológico

Com investimento de R$ 1,389 milhão, o sistema realiza o monitoramento de parâmetros hidrometeorológicos, previsão do tempo e emissão de alertas e boletins informativos, em tempo contínuo, durante sete dias da semana e 24 horas por dia.

A equipe técnica do Centro de Monitoramento e Alerta (Cemadec) da Defesa Civil de Porto Alegre, formada por oito profissionais entre meteorologistas, hidrólogos e geólogos, realiza a leitura de dados de estações hidrometeorológicas, radares, satélite e demais meios disponíveis e emite boletins diários, semanais e mensais para a Capital. Iniciativa em funcionamento.

Revitalização do Posto de Comando Móvel da Defesa Civil

O projeto prevê a contratação de empresa para desmontagem, higienização, descontaminação e remontagem do veículo utilizado como unidade móvel da Defesa Civil, com o custo de R$ 255 mil. Iniciativa em execução.

Melhorias no sistema de proteção contra cheias

Está em elaboração o estudo para revisão do sistema de proteção contra cheias, criado na década de 1960, garantindo novos parâmetros da cota de segurança, além do desenvolvimento de proteção para a Zona Sul da cidade. Resultado completo será conhecido no final deste ano. Iniciativa em desenvolvimento, com o custo de R$ 5,8 milhões.

Monitoramento da Qualidade do ar

Trata-se de uma rede composta por cinco estações compactas e uma estação móvel de referência fornece informações precisas e atualizadas sobre o nível de poluentes e dados meteorológicos num raio de aproximadamente dois quilômetros do local onde as estações estão instaladas. Os dados podem ser acessados através do link. Iniciativa em funcionamento, com investimento de R$ 2,949 milhões para quatro anos de contrato.

Avaliação da prefeitura de Porto Alegre

O secretário de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) e coordenador do Escritório de Adaptação Climática, Germano Bremm, destaca que as ações estabelecidas vêm reduzindo a exposição a perigos e a vulnerabilidade da população a desastres. “Implementamos um centro de monitoramento, com apoio de várias tecnologias, incluindo totens de alerta em áreas de grande risco e previsão do tempo exclusiva para Porto Alegre. Avançamos enormemente neste um ano, qualificando a tomada de decisões”, citou.

“A atuação da Defesa Civil tem sido contínua e estratégica desde o início da crise climática. Nosso foco é proteger vidas, por isso ampliamos o monitoramento em tempo real, intensificamos a comunicação com as comunidades em áreas de risco e qualificamos os protocolos de resposta. A integração entre tecnologia, planejamento e presença no território é o caminho para enfrentarmos com mais eficiência os desafios climáticos que Porto Alegre tem vivido”, finalizou o secretário executivo da Defesa Civil, Evaldo Rodrigues.