Nesta quarta-feira, prosseguiu a demolição de residências na chamada vila Voluntários, bairro Farrapos, na zona Norte de Porto Alegre, processo necessário para a continuidade das obras da nova ponte do Guaíba, paralisadas devido à presença das casas, mas que está 90% concluída. Esta etapa foi acompanhada, ainda na manhã de quarta, pelo secretário nacional de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Maneco Hassen, e pelo titular da pasta da Habitação e Regularização Fundiária de Porto Alegre, André Machado.
Segundo Hassen, o primeiro dos 16 lotes, ou quadras, nos quais foram divididas as demolições, acompanhadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), deve ter a demolição concluída já na próxima semana. Já a totalidade deverá estar pronta até dezembro. “Esta obra da ponte é uma questão de décadas, e ela chegou em uma etapa em que travou por conta da necessidade de remoção daquelas famílias”, disse ele.
Ao todo, são pouco mais de 800 que precisam sair. Ao menos as do lote atual, o primeiro, foram todas incluídas no Compra Assistida, programa do governo federal que encaminha recursos às famílias buscarem residências em outros locais.
“A maioria já inclusive escolheu seu imóvel. E as que eventualmente ainda não estão (no Compra Assistida), estamos viabilizando junto ao governo do Estado que recursos do Funrigs sejam repassados à Prefeitura de Porto Alegre para viabilizar o pagamento de um auxílio-aluguel, ‘estadia-ponte’, que é como chamamos, até o dia em que forem contempladas pelo Compra Assistida”, acrescentou Maneco.
Equipes das empresas contratadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) prosseguem hoje com a demolição de casas na vila Voluntários, no bairro Farrapos, zona Norte de Porto Alegre
Ainda segundo ele, as questões burocráticas estão sendo feitas pelo Piratini. O processo será feito lote a lote, com demolição, limpeza e ocupação imediata pelo Dnit justamente para evitar que a população ocupe novamente a área, em tese, de maneira irregular. Ele disse ainda não ter havido, até o momento, resistência na saída de moradores, mas foi identificado desconfiança de alguns na saída caso não haja a garantia de uma nova moradia.
Maneco garantiu que, para evitar isto, o diálogo tem sido constante entre os governos para que uma solução seja adotado o mais rapidamente possível. Segundo o Departamento Municipal de Habitação (Demhab), 93 famílias residiam no primeiro e segundo lotes, e, entre elas, algumas ainda permanecem. É o caso da recicladora Cristina Soares e sua filha, Maria Soares, que está desempregada.
“Nos disseram que no dia 15 vão nos dar o dinheiro para irmos embora. Eles falaram que viriam demolir com as mãos, porém vieram com máquinas. Sem isso, não temos condições de irmos para outro lugar. Estamos esperando esta solução”, disse Cristina, que, na quarta, ainda permanecia na residência próxima a outras casas já demolidas. Ela disse morar no local há oito anos, vinda de Alvorada. Caso consiga o Compra Assistida, já escolheu: irá morar em uma residência em Esteio. “É para lá que vou. Tenho medo de apartamento”, acrescentou ela.