Demolições de casas afetadas pelas enchentes avançam nas ilhas de Porto Alegre
Moradores contemplados com o Compra Assistida já saíram do local, mas há quem resista e diga querer permanecer no Arquipélago
Felipe Faleiro
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo sobre uma das casas de sua família
Foto : Camila Cunha
O marceneiro Valdomiro Biondo observava com pesar, na manhã da última segunda-feira, uma enorme máquina colocar abaixo, em segundos, duas casas de madeira, mais seu antigo galpão de trabalho, todos construídos por ele mesmo. O ato, nos fundos da rua Nossa Senhora Aparecida, a principal daIlha Grande dos Marinheiros, em Porto Alegre, é executado por uma empresa terceirizada da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi), nas residências de moradores das ilhas, cujos nomes saíram nas listas do Compra Assistida e já deixaram o local. Os trabalhos no Arquipélago começaram ainda no ano passado.
“Dá um certo dó. Eu tinha uma marcenaria aqui, e ali naquele outro ponto o telhado era de barro”, diz ele, apontando para um monte de telhas no chão, único resquício de um antigo galpão. “Ali era a casa da minha filha, e ali o quarto do meu neto”. Pela última vez, ele ingressou na residência dos fundos, com uma escada de concreto que levava ao segundo andar, e mostrou onde eram os cômodos. Em seguida, o maquinário ingressou no terreno e logo as enormes garras de metal converteram as residências, feitas com madeiras como eucalipto, pinus e cedro, em irreconhecíveis montes de entulho.
Biondo, que passou a morar nas ilhas em 2007, contou ser natural de Nova Bréscia, no Vale do Taquari. Como muitos, veio para Porto Alegre em busca de uma vida melhor. E assim como para grande parte dos moradores locais, as devastadoras enchentes de 2024 levaram embora pertences e sonhos pregressos dele, e desde então, muitos habitantes da área optaram por não reconstrui-las mais, em alguns casos, abandonando os locais. A demolição, avisada previamente e consentida por ele, é, na verdade, um misto de tristeza e alívio, porque é a finalização de uma etapa de certa maneira dolorosa para ele e sua família.
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo mostra fotos do interior de sua casa antes da enchente
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo aponta pontos críticos da estrutura de sua casa, prestes a ser demolida
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo sobre uma das casas de sua família
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo sobre uma das casas de sua família
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros
Camila Cunha
Demolição de casas comprometidas pela enchente histórica de 2024 na Ilha Grande dos Marinheiros | Valdomiro Biondo, marceneiro, acompanha a demolição de casas da sua família, que ele mesmo construiu
Camila Cunha
Depois das inundações e do nome na lista, Valdomiro, cujo nome foi um dos primeiros a aparecer na listagem do benefício, contou ter se mudado há cerca de dois anos para a região da avenida do Forte, e sua marcenaria está no bairro Humaitá, em um prédio alugado. As casas a serem demolidas recebem uma marcação vermelha, indicando o número da residência. Entre os vizinhos que assistiam a derrubada, nem todos concordavam com os trabalhos.
“A gente não tem vontade de sair porque estamos acostumadas. Não tem outro lugar melhor do que aqui. Não nos vemos em outro local”, disse a dona de casa Lucilene Pereira, ao lado da irmã, Lissiane Pereira. “Os funcionários da Prefeitura passaram entrevistando o pessoal, porém não quisemos sair. Por nossa conta em risco, resolvemos ficar. Aqui é maravilhoso, dá pra ver o nascer do sol de manhã e também a Arena do Grêmio”, acrescentou Lucilene.
Procurado, o Demhab informou que as demolições já alcançaram 640 residências, sendo 155 na Ilha Grande dos Marinheiros, 313 na Ilha da Pintada, 89 na llha do Pavão e 83 na Ilha Mauá, e ainda nenhuma nas ilhas das Flores e da Casa de Pólvora. Os registros enviados válidos eram de 2.154, ao todo, e os contratos registrados em Porto Alegre foram 1.835. Somente no último mês de maio, houve 18 demolições na Ilha da Pintada e 105 na Ilha Grande dos Marinheiros, somando 123 residências.