Enquanto a epidemia de dengue avança em Porto Alegre, focos de descarte irregular de lixo continuam na Capital. Na zona Norte, a rua Dona Teodora, esquina com a avenida Pernambuco, no Navegantes, além de outros pontos do bairro, são frequentemente locais de depósito de resíduos. Procurado, o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) afirmou que a região é atendida três vezes ao dia pela equipe de limpeza.
Já na zona Sul, uma casa abandonada há pelo menos três anos na rua Marcio Dias, pertencente ao Grupo Isdra, proprietário também de empreendimentos como o Shopping Rua da Praia, preocupa moradores próximos, que dizem haver focos do mosquito Aedes aegypti em uma piscina instalada no local e que não recebe manutenção há anos. O grupo, contatado, confirmou conhecer o problema, mas que tomará providências para solucioná-lo.
A aposentada Celina Ayala dos Santos, que mora em uma casa ao lado, diz que a residência recebe poucos cuidados. “Inclusive ela foi alvo de ladrões, que levaram tudo o que era possível. Quanto à dengue, o mato cresceu bastante e agora quase não dá para ver a água parada, mas ela está lá”, comentou ela. “Não tenho mais um rim, então se pegar esta dengue, posso até morrer”, acrescentou. Em uma residência no outro lado, o corretor de imóveis Francisco Bianchi afirma que, há algum tempo, havia sido posta uma lona sobre a estrutura, porém ela cedeu e não foi reposta.
“Eu mesmo precisei colocar um cadeado na frente do portão, porque não havia mais. Isto tem sido um grande problema para nós”, comentou ele, que vive inclusive com sua mãe no local, uma senhora de 92 anos, e disse temer a chegada da doença. “Gasto um tubo de inseticida a cada dois ou três dias. Não dá para aguentar a quantidade de mosquitos. Aquele equipamento que se coloca na tomada não adianta para espantá-los”, disse Bianchi.
O distrito sanitário Centro-Sul, onde está situado o bairro Nonoai, está longe de ser um dos mais afetados pela dengue em Porto Alegre, de acordo com o Painel de Arboviroses da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), com 115 confirmações até a manhã desta quinta-feira, apenas 2% dos mais de 5 mil em toda a Capital. Mesmo assim, os moradores relataram ter recebido um “aviso” recente da Prefeitura sobre a necessidade de reforçar os cuidados.
Pontos de descarte ilegal de lixo nas ruas, como na Rua Dona Teodora, no bairro Farrapos, colaboram para a proliferação do mosquito Aedes aegypti
Empresa disse que enviará equipe e fechará piscina
A reportagem procurou o Grupo Isdra, que, por meio de uma representante da empresa Astir, uma de suas subsidiárias, afirmou que as limpezas são feitas sob demanda, ou seja, quando há solicitações dos próprios vizinhos. Segundo ela, uma das próprias pessoas contatadas quando é preciso realizar os trabalhos, uma equipe será enviada na próxima terça-feira, com mais pessoas envolvidas, com possibilidade de terminar os serviços no mesmo dia.
A residência, que também já pertenceu à família do ex-jogador do Internacional Jorge Andrade, conforme os vizinhos, foi recebida pelo Grupo Isdra em um processo de dação. Já a piscina, de acordo com a representante da empresa, será fechada e um estudo realizado para sua retirada em definitivo. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) também foi procurada, porém não foi encontrado protocolo registrado. A pasta reforçou a importância de buscar o registro via telefone 156.
Leia nota completa do DMLU
A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb), por meio do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), informa que a rua Dona Teodora é atendida três vezes ao dia pelas equipes de limpeza. Os garis do Setor Norte limpam o espaço pela manhã, à tarde, e também fazem um repasse no local à noite. Os pontos apontados pela reportagem, nas proximidades dos números 29 e 1014, foram atendidos já na manhã desta quinta-feira, 24, conforme comprovam as fotos anexas. Em média, são recolhidas a cada dia cerca de 10 toneladas de resíduos descartados irregularmente no local. Lembramos que o DMLU faz todos os esforços para a manutenção da conservação nos endereços. As coletas regulares são oferecidas periodicamente, e o DMLU também disponibiliza as Unidades de Destino Certo (Ecoponto) para o descarte de materiais volumosos. Para quem tem dificuldade de deslocamento até uma das unidades, ainda há a opção de contratar o serviço de coleta especial, com o orçamento via sistema 156. Além disso, os agentes de educação ambiental e os de Fiscalização agem ostensivamente, a fim de sensibilizar quanto ao descarte correto ou coibir infrações. Destacamos que responsabilidade na zeladoria e limpeza urbana é compartilhada e, assim, também cabe ao cidadão, que deve obedecer ao regramento estabelecido no Código Municipal de Limpeza Urbana, Lei 728/14. Lembramos que o sistema 156 segue à disposição para o registro de denúncias ou solicitações que necessitem de nossos serviços.