A operação de remover os dois navios encalhados do canal de Itapuã, na Lagoa dos Patos, envolveu quatro navios rebocadores e muita paciência por parte dos tripulantes, segundo oficiais de Porto Alegre que participaram dos resgates do Mount Taranaki e do EVA Shanghai, na última semana. O Guaíba com o nível cada vez mais baixo é um problema adicional, somado às últimas enchentes que aumentaram seu assoreamento, e cuja demanda é considerada emergencial.
Duas empresas atuantes no Cais Mauá, a Navegação Amândio Rocha (NAR) e a Sulnorte Serviços Marítimos, participaram deste processo. A primeira, com os rebocadores Almirante Tamandaré e Goiânia, alguns dos maiores da companhia, e a segunda com o Mossoró e o Pituba. Segundo o marinheiro fluvial de convés Rodrigo Vescia, funcionário da NAR há cinco anos, e que participou dos desencalhes, um contrato é firmado entre a empresa, a agência dos navios e o armador, responsável pela carga.
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Na operação do Mount Taranaki, primeiramente foram deslocados os dois da NAR, e quando não conseguiram a remoção, foi necessário o terceiro, da Sulnorte. No caso do EVA Shanghai, houve o contrário: o Mossoró e o Pituba foram contratados primeiro, e o Goiânia depois. “Os três, graças a Deus, conseguiram o desencalhe”, comentou ele. Segundo Vescia, cada rebocador leva quatro tripulantes, portanto, até 16 pessoas podem ter atuado.
Navios rebocadores que auxiliaram no resgate das embarcações Mount Taranaki e EVA Shanghai
“A gente somente pode sair com autorização, quando o contrato é firmado. Descemos até onde eles estão e fazemos a manobra de desencalhe”, contou. Mas o processo não foi fácil. O marinheiro disse que o Mount Taranaki levou quatro dias para desencalhar, mesmo depois de “todas as manobras possíveis no momento”. No EVA Shanghai, não foi diferente. “É um tempo considerável para nós, apesar de que, dependendo da situação, é variável. Vários fatores influenciam nisto, como o vento e o nível mesmo”, conta.
Rajadas de sul ajudam a encher o nível, enquanto leste e norte o reduzem. Para o profissional, a redução na profundidade preocupa a atividade, ainda que represente mais trabalho para eles. As empresas, cujos navios ficam ancorados junto à sede do Grêmio Náutico União (GNU), realizam uma medição informal nos blocos de pedra junto ao cais. Na manhã desta quarta, a medida até o fundo do Guaíba não era maior do que um metro. Um pouco mais distante, não passava de 1,50 metro. “Se a situação não mudar, os navios que tiverem calado maior do que 5 metros, 5,20 metros, que foi a média daqueles dois, talvez não conseguirão passar”, relata Vescia.