Cidades

Distantes na geografia, Quito e Porto Alegre vivem problemas parecidos nos centros históricos, dizem especialistas equatorianos

Urbanistas da Prefeitura da capital do Equador estão em Porto Alegre para participar de encontro internacional

Vista de Quito, capital do Equador
Vista de Quito, capital do Equador Foto : Wikimedia Commons

Qual a relação entre duas grandes cidades latino-americanas, que vivem desafios em seus centros históricos? Os assessores da Prefeitura de Quito, capital do Equador, Paul Ponces e Pablo Iturralde, também pesquisadores da área de urbanismo, estarão em Porto Alegre nesta quarta-feira, apresentando no 3º Encontro Internacional de Urbanismo em Áreas Centrais, realizado na Usina do Gasômetro, a realidade local.

De acordo com eles, que estão pela primeira vez na cidade, há na capital equatoriana um forte desequilíbrio entre os interesses do setor imobiliário e empresas privadas, “possuidores de muito poder”, em contraste com o poder público, que não consegue executar políticas habitacionais devido a esta “pressão”. "Ultimamente, quem tem governado Quito tem sido o setor privado e as imobiliárias privadas, e elas realmente têm decidido como a cidade se expande”, comentou Ponces.

Apesar das diferenças legislativas e comunitárias, Quito e Porto Alegre têm problemas estruturais bastante semelhantes, afirmaram os especialistas, relacionadas ao esvaziamento de suas áreas centrais. Além de a capital equatoriana estar situada a mais de 2.800 metros de altitude, ela também é longa e estreita, com cerca de 50 quilômetros de comprimento por oito quilômetros de largura, e 70% do trânsito que cruza a cidade de norte a sul é obrigado a passar pelo Centro Histórico, gerando um estresse territorial.

“O desafio para nós não é só transformar o espaço físico, mas os imaginários de progresso que a gente foi construindo ao longo do tempo”, disse Paul. Para eles, o modelo norte-americano de desenvolvimento urbano associa o progresso à ideia de morar nos subúrbios, depender do carro e viver afastado do centro, o que causa um esvaziamento geográfico, mas também cultural.

Ambos elogiaram as iniciativas de Porto Alegre, considerando a capital gaúcha como referência em urbanismo na América Latina. “Temos lá um problema sério com poluição visual e sonora, e aqui podemos ver que há este cuidado”, comentou Iturralde. Para abrandar o problema, reverter a fragmentação e o esvaziamento, Quito, que devido à falta de sintonia entre o público e o privado não possui o ordenamento legal de parcerias público-privadas (PPP) como no Brasil, está desenvolvendo o modelo de Distritos Urbanos Completos, ou microcentralidades.

São intervenções ao redor de estações de metrô e corredores de ônibus para criar áreas com uso misto, unindo moradia, comércio, serviços e conhecimento, e corredores de conexão seguros e acessíveis aos pedestres. “Parte do problema em Quito é que nós não temos equidade territorial. Há uma intervenção territorial, sim, mas necessitamos de uma transformação na função urbana”, comentou Ponces.

Veja Também