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Empresários do Vale do Taquari apresentam projetos de infraestrutura após as enchentes no Tá na Mesa

Projeto Ponte dos Vales e nova etapa do Reconstrói RS foram anunciadas, ambas com investimento privado e de associações locais

Tá na Mesa - Tema: “Setembro de 2023: Tragédia, reconstrução e esperança no Rio Grande do Sul”
Tá na Mesa - Tema: “Setembro de 2023: Tragédia, reconstrução e esperança no Rio Grande do Sul” Foto : Pedro Piegas

Gestores de associações industriais e comerciais do Vale do Taquari participaram, nesta quarta-feira, no Tá na Mesa, promovido pela Federasul, para debater a respeito das lições das enchentes de setembro de 2023, que completam, portanto, dois anos neste mês. Os empresários também anunciaram uma nova etapa do programa Reconstrói RS, com 54 obras em 28 municípios, somando pouco mais de R$ 43,1 milhões.

Destes, R$ 30,1 milhões serão repassados pela Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari (CIC-VT), gestora e executora das obras, e os restantes R$ 12,9 milhões como contrapartida pelas Prefeituras. Oficialmente, este lançamento será na próxima sexta-feira. Serão R$ 20 milhões para drenagens, R$ 10,5 milhões para contenções e R$ 12 milhões para pontes.

O Reconstrói é um projeto criado após as enchentes de maio de 2024, inicialmente com um aporte de R$ 50 milhões do Instituto Ling e participação do Instituto Cultural Floresta, e que arrecadou, ao todo, um total próximo de R$ 100 milhões somente da iniciativa privada para obras de infraestrutura. Ainda foi apresentado o projeto Ponte dos Vales, que, segundo eles, é aguardada há mais de 50 anos, sendo uma estrutura que ligará os municípios de Estrela a Cruzeiro do Sul.

A intenção é que ela seja um acesso alternativo à BR 386, conectando esta rodovia à ERS 287, permitindo que os municípios se conectem mesmo em um contexto de tragédias climáticas, criando uma rota segura entre o Vale do Taquari e a região Central do Estado. "Estamos com uma campanha muito focada em conseguir junto ao Fundo Rio Grande (Funrigs) encaminhamento a este recurso muito disputado, para que a ponte seja paga por este fundo”, disse o presidente da Câmara do Comércio, Indústria, Serviços e Agronegócio de Estrela (Cacis Estrela), Claus Wallauer.

O vice-presidente Regional Vale do Taquari da Federasul, Ivandro Carlos Rosa, disse que a solução mais célere passa pelo associativismo. “Este é o movimento que nos une, é algo orgânico. O Vale do Taquari é muito potencializado pelas migrações de portugueses, alemães e italianos. E essa soma de migrantes criou um sistema com muito cooperativismo. Não esperamos pelos governos, buscamos soluções pelo associativismo, porque acho que é o que realmente tem feito entregas efetivas”.

Além da infraestrutura, a habitação é outra grande dor da região, e a morosidade dos governos em projetos desta área foi ressaltada pelos participantes do encontro. “Desde 2023 as residências foram prometidos pelos governos municipais, estadual e federal, e isso custa muito caro. Foram feitos projetos e disponibilizado dinheiro, porém esqueceram de investir na infraestrutura delas”, salientou o tesoureiro da Associação Amigos de Nova Roma do Sul, Heleno Pasuch. Empresários do município construíram uma ponte destruída nas inundações de setembro de 2023 em cerca de 140 dias, tempo menor e com recursos inferiores ao projetado pelo governo do Estado.

“Também não estamos conseguindo reter mão de obra ou oferecer alternativa. Há uma deficiência enorme de mobilidade, não temos ferrovia e as hidrovias estão engatinhando. É hora de a gente pensar no Rio Grande do Sul para suprir estas dificuldades, acabar com a grenalização e arregaçar as mangas. Ninguém está ligado órgãos de governo e estamos fazendo a diferença nas regiões em que fomos atingidos, dentro do nosso potencial”, acrescentou o presidente da CIC-VT, Ângelo Fontana.

O presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, parabenizou a iniciativa e a resiliência dos empresários da região, mesmo depois das tragédias. “Tivemos centenas de mortes que foram lastimáveis em maio de 2024, mas que seriam muitas mais caso não tivesse havido (as enchentes de) setembro de 2023. Está tragédia fez emergir virtudes em um país que se diz polarizado, de pessoas que voluntariamente se dispuseram a ajudar. Talvez o maior legado que o Vale do Taquari possa dar ao Brasil é este resgate de virtudes de pessoas que dão o melhor de si com desprendimento, superam as dificuldades e mostram do que são capazes”, comentou ele.

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