Enchente atinge o extremo Sul do Rio Grande do Sul junto à fronteira com o Uruguai pela cheia do Rio Jaguarão que mobiliza equipes da Prefeitura de Jaguarão, da Defesa Civil e de outros órgãos municipais em uma operação contínua de atendimento às famílias. O rio superou a cota de inundação, de 4,50 metros, e segue em elevação em meio à persistência das chuvas.
A elevação das águas atingiu trechos das ruas Silveira Martins, Nossa Senhora dos Navegantes, Fernandes Vieira, Andrade Neves, Pedro Frederico Rache, Athaualpa Gonçalves Dias e Augusto Leivas. Famílias que vivem próximas ao rio começaram a deixar suas casas diante do avanço da água.
Até a manhã desta quarta-feira, duas famílias, totalizando cinco pessoas, estavam acolhidas no Ginásio Municipal Dario de Almeida Neves, o Ferrujão, preparado pela prefeitura como ponto de apoio para moradores que precisarem deixar suas residências. Outras famílias também foram retiradas de áreas de risco e encaminhadas para casas de parentes, onde permanecem em segurança.
De acordo com a Defesa Civil municipal, cerca de 40 famílias vivem na área ribeirinha de Jaguarão. Equipes atuam na retirada preventiva de moradores dos pontos mais vulneráveis e, quando necessário, auxiliam também na remoção de móveis e pertences devido à enchente.
"A tendência é de continuidade da elevação do rio diante da previsão de mais chuva. A situação exige atenção principalmente nos bairros Vencato e Nossa Senhora dos Navegantes, onde estão concentradas parte das ações de retirada de moradores”, frisou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall, da MetSul Meteorologia. Além dos impactos na área urbana, o excesso de chuva provoca problemas na zona rural.
Foram registradas árvores caídas e alagamentos, com trechos de estradas que tiveram o acesso prejudicado. Segundo a Defesa Civil, há locais onde estruturas de drenagem não suportaram o volume de água, provocando o alagamento de vias rurais. Como medida preventiva, a Prefeitura de Jaguarão suspendeu as aulas da rede municipal de ensino nesta quarta-feira.
A decisão foi tomada em razão das condições provocadas pela enchente e pelas fortes chuvas que atingem o município. A orientação é para que a população evite áreas alagadas, não tente atravessar locais com água corrente e não se coloque em situação de risco para retornar às residências ou retirar pertences. Conforme Nachtigall, municípios do Sul do Rio Grande do Sul somam volumes de chuva entre 100 mm e 250 mm desde domingo, o que na semana passada a MetSul alertava iria ocorrer.
"A chuva extrema ocorreu pela combinação de ar muito quente e úmido, transportado por uma corrente de jato em baixos níveis, com a presença de ar mais frio ao Sul. O contraste favoreceu a formação de frente quente e que depois passou à semi-estacionária entre o Uruguai e o Sul gaúcho, despejando chuva por dias seguidos quase sobre as mesmas áreas e favorecendo os acumulados excessivos de precipitação”, disse.
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