Cidades

Especialista da UFRGS alerta para riscos da dragagem no Guaíba durante audiência pública

No encontrou, ocorreu a apresentação do Relatório de Gestão Ambiental e Social (ESMPF) do município de Guaíba, na Região metropolitana

Programa Guaíba+Resiliente prevê uma série de intervenções em infraestrutura, monitoramento ambiental, educação e planejamento urbano
Programa Guaíba+Resiliente prevê uma série de intervenções em infraestrutura, monitoramento ambiental, educação e planejamento urbano Foto : Mauro Schaefer

“Muito cuidado em solicitar dragagem no Guaíba. O efeito pode ser muito desastroso.” O alerta é da professora associada do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Tatiana Silva, durante a audiência pública de apresentação do Relatório de Gestão Ambiental e Social (ESMPF) de Guaíba, na noite desta quinta-feira, 17.

Tatiana, que integra o Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do RS, justifica o cuidado, apontando os efeitos nocivos que intervenções mal planejadas podem gerar nos municípios que margeiam o Guaíba.

“Muito cuidado em solicitar dragagem no Guaíba, principalmente vocês no município de Guaíba. Uma onda surge pelo efeito do vento numa lâmina d'água, e a energia dessa onda é maior conforme a profundidade. Ela sente o fundo, como a gente diz, e chega na costa com menos energia. Então, se a gente tira essa proteção (aumenta a profundidade), essa energia de onda vai chegar nessa costa aqui com muito mais violência”, destacou.

A especialista também comentou sobre a nota técnica publicada pelo programa de gestão ambiental do Porto de Porto Alegre em conjunto com o Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, que trabalha com a questão da previsão de nível do Guaíba.

“A gente alertou que algumas porções do Guaíba, inclusive, sofreram erosão. E não foi pouca, porque aquela velocidade da água carregou até casa, então imagina se a areia iria parar no fundo.”

No encontro, também foi apresentado o relatório de gestão ambiental e social aplicados aos subprojetos do Programa Guaíba+Resiliente. O documento integra os subprojetos do Programa Guaíba+Resiliente, criado após os eventos climáticos de maio de 2024.

O trabalho busca promover transparência, controle social e diálogo com a comunidade, permitindo o acompanhamento e o aprimoramento das ações implementadas no município a partir do programa, reforçando o compromisso conjunto com uma cidade mais resiliente, inclusiva e sustentável.

Durante a audiência, representantes do poder público, da sociedade civil e de instituições técnicas se manifestaram, oferecendo sugestões, críticas e questionamentos. A iniciativa teve como objetivo principal consolidar o alinhamento entre os interesses coletivos e os princípios da sustentabilidade, contribuindo para um desenvolvimento urbano mais responsável e equitativo.

Comunidade do bairro Florido realizou manifestação durante audiência | Foto: Mauro Schaefer

O Programa Guaíba+Resiliente prevê uma série de intervenções em infraestrutura, monitoramento ambiental, educação e planejamento urbano. A proposta é mitigar os efeitos das mudanças climáticas, como enchentes e alagamentos, que se intensificaram nos últimos anos.

Ainda durante o encontro, foi ressaltada a importância de decisões técnicas fundamentadas na ciência, especialmente frente à complexidade do sistema hídrico local e à urgência de ações eficazes diante do novo cenário climático. A dragagem, nesse contexto, foi tratada como uma medida que requer extrema cautela e aprofundamento técnico antes de qualquer execução.