O Rio Grande do Sul recebe nesta semana uma missão técnica da Defesa Civil italiana para uma série de agendas que incluem visitas a áreas atingidas por eventos climáticos extremos e a realização de um seminário internacional. A iniciativa, promovida pelo Consulado-Geral da Itália em Porto Alegre, visa fortalecer a cooperação entre os países e ampliar o intercâmbio de experiências em gestão de riscos e desastres.
A comitiva italiana é formada por especialistas com décadas de atuação em prevenção de riscos, salvamento e planejamento territorial. No roteiro de cinco dias, os italianos passarão por Porto Alegre, Vale do Taquari e Serra. O objetivo é conhecer o sistema gaúcho de proteção e Defesa Civil e compartilhar estratégias que são aplicadas na Europa para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.
Segundo o geólogo Vittorio Bosi, um dos membros da missão, há semelhanças entre os desafios enfrentados pelos dois países. “A única diferença é que nós tivemos muitas das inundações nos últimos 30, 40 anos, e aqui no Rio Grande do Sul os episódios se intensificaram nos últimos três anos. Nossa experiência pode ser útil para o Estado e essa troca será boa para ambos”, afirmou.
As atividades começaram na terça-feira (15), com visita ao Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil e uma navegação de reconhecimento no Guaíba, que foi acompanhada pela imprensa. Na quarta, os italianos se reúnem com o governador Eduardo Leite e seguem para Muçum, no Vale do Taquari, uma das cidades mais afetadas pelas enchentes, para um encontro com representantes de 36 municípios da região.
O cônsul-geral da Itália, Valério Caruso, destacou que a missão vai além do apoio técnico. “O Rio Grande do Sul está se tornando uma referência mundial na gestão de eventos climáticos extremos. A Itália, que há muitos anos vivencia tragédias semelhantes, também quer aprender com as boas práticas aplicadas aqui. A reconstrução e resiliência do povo gaúcho são exemplo para o mundo”, disse. Caruso também lembrou que o próprio consulado foi inundado durante a enchente de maio e já programa transferência para uma nova sede após o episódio.
Na quinta-feira (18), o grupo estará em Bento Gonçalves, onde participará de um seminário internacional no Centro da Indústria e Comércio (CIC). Ainda na cidade, os técnicos visitarão quatro áreas que sofreram deslizamentos e o distrito de Faria Lemos, onde foi instalado o gabinete de crise em 2024.
Para o coronel Santiago Soares Dias de Castro, subchefe da Defesa Civil estadual, a visita reforça a importância da preparação integrada entre governos e sociedade. “Queremos mitigar os danos humanos. Não temos como impedir que as chuvas ocorram, mas podemos estar mais preparados, com estruturas resilientes e prontos para reagir”, afirmou. Ele ressaltou que o intercâmbio reforça o Plano Rio Grande e amplia a atuação preventiva no território.
O coronel também falou sobre a batimetria que realizada pelo Estado, que vai apoiar decisões sobre ações como o desassoreamento de rios e a contenção de movimentos de massa. “A condição geológica do Rio Grande do Sul mudou. Com tantas chuvas que nós tivemos em 2023 e 2024, além das enchentes, hoje a nossa preocupação também é a questão de movimentos de massa no Estado”, conclui.
Além do geólogo Vittorio Bosi, entre os profissionais que visitam o Estado está a especialista em alertas hidrológicos, Angela Corina; o diretor do Corpo Nacional de Bombeiros da Itália, Luca Rosiello; e o engenheiro ambiental, Damiano Giordani.