Há, ao menos, dois heróis de guerra ainda vivos no Rio Grande do Sul, que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Nascido em Gravataí, na região Metropolitana, em 8 de setembro de 1922, o pracinha João da Silva Augustinho embarcou com as forças aliadas em 8 de fevereiro de 1945, como soldado, retornando ao Brasil em 23 de novembro do mesmo ano, já como vitorioso no conflito global, segundo o Museu Virtual da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
No último dia 26 de junho, foi homenageado com a Medalha Tributo à FEB em São Leopoldo, no Vale do Sinos, onde vive, na sede do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado (19º BI Mtz) do Exército, e que fica no mesmo município. Com 103 anos de idade atualmente, ele, durante a guerra, atuou com outros soldados na manutenção e construção de estradas e pontes na Itália, segundo registrou o professor Carlos Magno Corrêa Dias, mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Esteve sediado nas cidades italianas de Alessandria e Nápoles, também segundo o professor. O outro é José Negri, que nasceu em Linha Santa Luzia, localidade no interior do município de Camargo, no Norte gaúcho, em 12 de maio de 1922, sendo, portanto, o mais velho entre eles. Foi o segundo de seis filhos do casal Jerônimo Negri e Maria Dambroz, de acordo com registros da família. “José e seus irmãos foram ensinados desde cedo a trabalhar para garantir o próprio sustento”, diz um de seus filhos, Claudemir Negri.
José Negri, um dos últimos pracinhas vivos do Rio Grande do Sul
Em 1944, aos 22 anos, deixou sua casa para prestar serviço militar no quartel de Cruz Alta. Quando o Brasil decidiu ingressar na guerra, os pracinhas foram levados a Santa Maria para exames médicos, e depois, iniciou sua jornada em dezembro do mesmo ano. Seguiu de trem até Rio Grande, depois ao Rio de Janeiro, de onde partiu à Itália como parte do 5º Escalão de Embarque. A travessia para a Europa levou 16 dias e 16 noites em alto-mar.
O desembarque foi em Nápoles, e dali, os militares seguiram para os acampamentos de Alexandria, Pistoia e Staffoli. “A chegada em solo europeu foi marcada pelo rigor do inverno. Os primeiros quarenta dias foram extremamente difíceis, com treinamentos pesados sob frio intenso, neve, chuva e lama. Os soldados simulavam combates reais: arrastavam-se no chão, cavavam trincheiras, disparavam fuzis e lançavam granadas”, observou Claudemir.
Com o fim da guerra, retornou ao Brasil, e, em 1949, casou-se com Madalena Filippi, união que resultou em nove filhos. A família ainda cresceu com 21 netos e 17 bisnetos até o momento. “José vive com saúde, lucidez e com uma impressionante vontade de viver. Enfrenta os desafios da vida com serenidade e uma fé inabalável em Deus. Não dispensa sua cerveja diária e se diverte jogando baralho, rodeado pela família”, comenta o filho, acrescentando que o pai, que ainda mora na localidade, mantém o hábito de ler livros e jornais.