O RegeneraRS, um fundo filantrópico dedicado à reconstrução do Rio Grande do Sul, promoveu nesta quinta-feira um encontro com especialistas em diversos setores para debater o cenário de adaptação climática do Estado após as enchentes de 2024. No evento, realizado no Instituto Caldeira, em Porto Alegre, foi lançado ainda um estudo inédito que tratou sobre as causas do desastre vivenciado no RS há exatos dois anos.
A pesquisa foi promovida pelo escritório brasileiro da World Resources Institute (WRI Brasil). No estudo, foi realizado uma multissetorial sobre os fatores sociais, econômicos e de governança que contribuíram para a formação do risco ao longo do tempo. O gerente de Desenvolvimento Urbano da organização, Henrique Evers, destacou que o objetivo do material é contribuir para qualificar decisões presentes e futuras sobre o tema.
“Os resultados mostram que o desastre foi construído a partir de um sistema de fragilidades, e não só de um ou dois problemas. Não foi algo que aconteceu no curto prazo, mas uma construção de anos. Alguns itens que destacamos foram a infraestrutura, sistema de alertas, o modelo de ocupação do território e a governança, especificamente a forma como lidamos com a gestão desses riscos que são supramunicipais”, apontou.
Intitulado de “Entendendo a construção do risco: causas raiz do desastre climático de 2024 no Rio Grande do Sul”, o estudo foi promovido ainda em 2024, analisando a construção dos riscos anteriores ao fato. “A ideia é aprender a partir disso e se questionar se as ações de fato cobrem todas essas dimensões. O desastre foi construído ao longo do tempo. A construção da resiliência também precisa ser ao longo do tempo. Queremos que o estudo ajude a fomentar essas ações”, completou.
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Encontro multissetorial e lançamento de app
A coordenadora executiva do RegeneraRS, Manuela Fonseca, destacou que o encontro serviu para reunir atores que atuam na adaptação climática e resiliência, tanto no poder público como na iniciativa privada, para debater juntos o avanço da agenda no RS. No evento, também foram apresentadas iniciativas, investimentos, desafios e perspectivas de longo prazo.
“O evento marca também os dois anos das cheias que afetaram o RS. O RegeneraRS sugiu nesse contexto e um dos maiores aprendizados que tivemos foi a importância de unir atores em uma pauta comum. Percebemos que faltava esse espaço de diálogo e de construção de uma agenda comum para a resiliência climática no RS. Ainda temos desafios, como governança e financiamentos, mas foi possível ver também quanto esse tema evoluiu nesses dois anos”, salientou.
No evento, o diretor executivo do Instituto Caldeira, Pedro Valério, realizou o lançamento do aplicativo “NOC – Centro de Monitoramento Climático”. O projeto propõe a integração de câmeras, sensores meteorológicos e dados territoriais em uma plataforma unificada, auxiliando na prevenção de novos desastres na região do 4º Distrito, servindo como uma plataforma de monitoramento urbano de uma das regiões mais vulneráveis de Porto Alegre ante eventos climáticos.