Cidades

Exposição em Santa Maria homenageia vítimas e sobreviventes da tragédia da Boate Kiss

Campanha “Sobrevivi para Contar” é uma iniciativa do coletivo “Kiss: que não se repita”

Coletivo "Sobrevivi para Contar" é o responsável pela exposição
Coletivo "Sobrevivi para Contar" é o responsável pela exposição Foto : Eduardo Ramos/Divulgação/CP

Doze anos após o incêndio que marcou Santa Maria e o Brasil, a campanha “Sobrevivi para Contar” busca transformar dor em memória e conscientização. Com abertura marcada para 17 de janeiro de 2025, às 9h30, na Câmara de Vereadores de Santa Maria, a exposição fotográfica e audiovisual propõe um espaço de reflexão sobre a tragédia da Boate Kiss, que vitimou 242 pessoas em 2013.

Organizada pelo coletivo “Kiss: que não se repita”, formado por amigos de vítimas e sobreviventes, a iniciativa é inspirada em projetos de memória coletiva, como o “Contar para viver”, promovido pela Unesco.

Fundador e presidente do coletivo, André Polga explica que o principal objetivo da campanha é preservar a memória coletiva e abordar temas como ausência, resiliência e a indiferença social. “Destacamos a importância de manter viva a memória coletiva sobre algo que faz parte da história do nosso Estado e do nosso país. Com isso, acredito que reforçamos a necessidade de mudanças efetivas nas políticas públicas, com foco na segurança coletiva.”, afirma.

A exposição apresenta 12 histórias de sobreviventes, amigos e familiares impactados diretamente pela tragédia. Cada narrativa é acompanhada de retratos sensíveis, que buscam refletir a profundidade das experiências vividas. “Os visitantes terão a oportunidade de se conectar de forma íntima com retratos e relatos sensíveis. Utilizamos alguns elementos visuais marcantes, como a representação de um palco e uma plateia vazios. Esses símbolos foram escolhidos para transmitir a ausência das vidas perdidas e a dor causada pela indiferença social diante dessa tragédia-crime”, destaca Polga.

Mais do que uma homenagem, a campanha tem o propósito de mobilizar a sociedade em prol de mudanças. “ Sempre falamos que é mais do que uma homenagem aos nossos, é um chamado à consciência e à ação e um convite para que cada visitante reflita sobre seu papel na construção de uma sociedade mais segura e empática”, reforça.

A exposição estará aberta ao público até 24 de janeiro, das 7h às 13h, no hall de entrada da Câmara, com entrada gratuita. No dia 27 de janeiro, data em que o incêndio completa 12 anos, a mostra será levada para a praça central de Santa Maria, oferecendo um espaço de memória e reflexão coletiva.

O projeto pretende circular por outras cidades do Rio Grande do Sul, ampliando o alcance da mensagem de conscientização. Em fevereiro, a exposição deve chegar a Porto Alegre. “Queremos sensibilizar ainda mais pessoas sobre a importância da memória, da conscientização e da prevenção de tragédias, já que a Kiss é a maior tragédia do nosso Estado”, pontua Polga.

O trabalho do coletivo “Kiss: que não se repita” começou no final de 2013, apenas como uma página no Facebook, criada por Polga como um espaço para desabafar. O trabalho cresceu e se tornou em um espaço para acolhimento e troca de informações.

Além do trabalho atual, o grupo também já produziu, em janeiro de 2020, uma campanha semelhante chamada “Janeiro Branco - Sobreviventes da Kiss”. O objetivo era trazer à tona questões de saúde mental, em alinhamento com o Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização nessa área. A campanha buscava mostrar como os sobreviventes ressignificaram o ocorrido.

O trabalho tinha fotografias de pessoas que ficaram com sequelas físicas, como queimaduras e amputações, para evidenciar que a tragédia da Kiss deixou marcas que vão além das psicológicas. O projeto, inclusive, foi retratado na série “Todo Dia a Mesma Noite” (Netflix), baseada no livro da jornalista Daniela Arbex.

Já na campanha “Sobrevivi Para Contar”, é ampliado o alcance para incluir, além dos sobreviventes, os amigos das vítimas e os familiares. “Dada a complexidade do caso, a gente entende que todos esses grupos também são vítimas. Estimamos que aproximadamente 3 mil pessoas foram diretamente afetadas, sem contar os atingidos indiretamente. O foco deste ano é criar uma conexão emocional profunda e despertar empatia, dando voz aos sobreviventes enquanto eles denunciam as constantes tentativas de silenciamento que enfrentam na sociedade”, finaliza Polga.