Tem novidade para os amantes da cultura na Capital. Operários passaram a trabalhar nas obras de restauração do antigo Cine Theatro Imperial, na Praça da Alfândega, no Centro Histórico, que irá abrigar a Caixa Cultural Porto Alegre. Tombado pelo patrimônio histórico municipal, o edifício de 11 andares, até então ladeado por tapumes, terá investimentos de R$ 40 milhões do banco estatal, e o restauro está sendo feito pela construtora cearense ICG Engenharia, que venceu o edital em novembro de 2025.
Inaugurado em abril de 1931 com a presença de três mil pessoas, conforme noticiou o Correio do Povo na época, o prédio, com 1.632 lugares e estilo arquitetônico art déco, está fechado desde 2005, e teve ao menos outras duas tentativas de restauração neste século; entre 2007 e 2011, além de 2015 e 2017. Em ambos os casos, ocorreram paralisações, devido a, entre outros motivos, a descoberta de uma enorme rocha durante as escavações para a construção do subsolo e do pavimento térreo.
O prazo estabelecido em edital para a execução dos serviços é de 34 meses a partir da assinatura do contrato, com a obra efetiva devendo ser cumprida em até dois anos. A Prefeitura é a proprietária do edifício, e passará a ocupar oito andares do complexo, porém ainda não há definição de quais estruturas serão instaladas no local. A Caixa Cultural Porto Alegre ocupará o teatro e o prédio anexo.
No auge de seu esplendor, o Cine Theatro Imperial, que a partir de 1986 também passou a abrigar o Cinema Guarani, possuía cadeiras dispostas de maneira que a visibilidade fosse conveniente de qualquer lugar da sala, “o que não era só um incremento tecnológico, mas também um pequeno luxo”, segundo registra um documento da Administração municipal. “Nem mesmo o Cine Capitólio, uma das salas de maior renome do Rio Grande do Sul à época, alcançava a imponência e luxo do Imperial”, diz ainda o texto.
Em nota, a Caixa disse que a recuperação do Cine Imperial e a implantação da Caixa Cultural em Porto Alegre, a nona do país, “reforçam o papel do banco na valorização do patrimônio histórico e na transformação da vida das pessoas por meio da arte e da cultura”, fortalecendo a memória coletiva, estimulando a reocupação qualificada do território e ampliando o acesso da população a bens culturais e de lazer.