Mesmo com sol e forte calor, milhares de pessoas participaram, na manhã desta segunda-feira, dos festejos de Navegantes em Porto Alegre. O evento, que tem como ponto central a tradicional procissão em homenagem à Nossa Senhora dos Navegantes, mobilizou milhares de pessoas desde as primeiras horas do dia, impactando o trânsito, o transporte público e a circulação em importantes vias da Capital.
A programação começou cedo com uma celebração, partindo do Centro Histórico em direção à Zona Norte. O trajeto percorreu cerca de 10 quilômetros, passando pela avenida Mauá, pelo Largo Edgar Koetz e pela Estação Rodoviária, avançando pela avenida Castelo Branco e pela avenida Sertório até a Praça dos Navegantes, o que exigiu uma grande operação de bloqueios e desvios coordenada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
Ao longo do percurso, a movimentação foi intensa, com grande concentração de pessoas acompanhando o deslocamento. Outros esperavam nas laterais das vias pela passagem da procissão. No viaduto da avenida Sertório, os participantes foram recepcionados com chuva de papel picado.
Para garantir a segurança e a fluidez do trânsito, a EPTC montou um esquema especial, com bloqueios desde as 7h, além de alterações em linhas de ônibus urbanas e metropolitanas. O transporte coletivo operou com passe livre. Conforme a Brigada Militar (BM), a estimativa é de que 45 mil pessoas tenham participado do evento.
Entre as autoridades presentes, o vice-governador Gabriel Souza acompanhou o percurso e chegou ao bairro Navegantes ao lado do prefeito Sebastião Melo. Para o vice-governador, o evento simboliza um momento coletivo importante para a população. “É um momento de agradecimento à saúde e à vida, e de desejar mais luz nesta jornada que se vizinha. É um momento muito emocionante, de solidariedade, amor e muita esperança. Esta é a grande mensagem que a gente leva daqui”, afirmou.
Já o prefeito Sebastião Melo, que também estava acompanhado da primeira-dama de Porto Alegre, Valéria Leopoldino, destacou o caráter histórico e cultural da mobilização. “É uma tradição que se repete, pautada em três pilares: fé, identidade cultural e resgate histórico da cidade. Que seja a caminhada da esperança e da paz, mas também da simplicidade, que é o último degrau da sabedoria humana. Tem muita arrogância no mundo e pouca simplicidade”, disse.
Ele também mencionou a importância de que o encontro sirva como espaço de reflexão coletiva, principalmente diante do grande número de feminicídios registrados no Rio Grande do Sul neste início de ano. “Nós estamos vivendo uma tragédia, uma pandemia de feminicídios. Portanto, que aqui também seja o momento de todos nós darmos as mãos, buscando uma solução que não é somente de governo, mas também da sociedade”, finalizou.
Procissão de Navegantes
Procissão fluvial também mobilizou público nas ilhas
Além do cortejo terrestre, a manhã também foi marcada pela realização da tradicional procissão fluvial, com saída da Ilha da Pintada. O embarque ocorreu por volta das 8h30min, reunindo dezenas de embarcações e centenas de participantes, que seguiram pelo Rio Jacuí em direção ao Guaíba.
O trajeto incluiu a passagem pelo Gasômetro e pela Ponte Móvel do Guaíba, antes do retorno ao ponto de origem, com chegada no final da manhã. Durante todo o percurso, não houve embarque ou desembarque de passageiros, conforme orientação da organização, garantindo a segurança da navegação.
A movimentação nas águas chamou a atenção de moradores das margens e de quem acompanhava de terra firme. Equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul também acompanharam as embarcações para garantir a segurança dos participantes.