Polícia

Nas redes sociais, Leite lamenta recorde de feminicídios no Estado

Desde o início do ano, já foram contabilizadas 11 vítimas do crime contra 80 em todo ano passado

Janeiro alcançou marca de abril, mês mais mortal para mulheres em 2025
Janeiro alcançou marca de abril, mês mais mortal para mulheres em 2025 Foto : Mauro Schaefer

Na última quinta-feira o Rio Grande do Sul alcançou a triste marca de 11 mulheres mortas. Os crimes são investigados como feminicídio. O governador do Estado, Eduardo Leite, utilizou as redes sociais para lamentar o número de ocorrências, que já é maior do que o mesmo período do ano passado. Em janeiro de 2025 foram registradas nove ocorrências dessa natureza nos municípios gaúchos.

O número parcial de janeiro deste ano se iguala ao mês mais mortal para mulheres no ano passado, abril, quando um total de 11 mulheres foram mortas, dez delas apenas no feriadão de Páscoa. Eduardo Leite se manifestou classificando o número como “inaceitável” e convidando a população para que denuncie situações de violência. “Foram 11 mulheres que morreram apenas por serem mulheres. Perseguidas por ex-companheiros, ex-namorados, por maridos. Vidas interrompidas por ciúmes, por estupidez, pelo machismo de homens que se consideram donos das suas parceiras”, afirma.

No vídeo publicado no seu perfil do Instagram, o governador destacou medidas adotadas para enfrentar o aumento das ocorrências. Entre as medidas foram destacadas a ampliação da Patrulha Maria da Penha e do sistema de monitoramento do agressor, a recriação da secretaria das mulheres e a criação do portal online para solicitação de medidas protetivas.

Relembre os casos:

Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte

A bombeira civil Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos, foi a primeira vítima de feminicídio no território gaúcho neste ano, em 3 de janeiro. Ela foi morta com sete facadas dentro de casa, em Guaíba, na Região Metropolitana. Deixou um filho de dez anos. Um homem de 44 anos, companheiro dela, foi preso preventivamente.

Letícia Foster Rodrigues

Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, teve o corpo encontrado em uma plantação de soja no dia 13 de janeiro, na área do primeiro distrito de Canguçu, no Sul gaúcho. Ela tinha ferimento de corte no pescoço. Um homem de 36 anos, novamente companheiro da vítima, foi preso. O casal tem um filho de quatro anos.

Marinês Teresinha Schneider

Marinês Teresinha Schneider, 54 anos, foi alvejada com revólver no dia 18 de janeiro, em Santa Rosa, no Noroeste gaúcho. De acordo com a Polícia Civil, um homem de 57 anos, ex-companheiro da vítima, teria invadido a casa dela e cometido o crime. Ele se entregou à Delegacia da Mulher no dia seguinte.

Josiane Natel Alves

Josiane Natel Alves, 32 anos, sofreu nove golpes de faca também em 18 de janeiro, no bairro Campo Novo, na zona Sul de Porto Alegre. Ela morava com a filha de 14 anos, que presenciou o crime, na rua das Rosas. Também deixa outros dois filhos. Um homem de 29 anos, ex-dela, foi preso em flagrante.

Paula Gabriela Torres Pereira

Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos, foi esfaqueada em uma parada de ônibus no bairro Chapéu do Sol, também na zona Sul da Capital, em 19 de janeiro. De acordo com a Polícia Civil, o suspeito é um homem de 50 anos, ex-companheiro dela, que foi preso. Eles disputavam na Justiça a guarda da filha de cinco anos. A vítima deixa outras duas filhas, de 12 e 15 anos, fruto de outro relacionamento.

Mirella dos Santos da Silva

Mirella dos Santos da Silva, 15 anos, foi morta a facadas no dia 20 de janeiro, no bairro Cohab, em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana. Um homem de 25 anos, namorado dela, foi preso em flagrante.

Uliana Teresinha Fagundes

Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, foi assassinada a tiros no dia 20 de janeiro em Muitos Capões, na Serra. O suspeito é um homem de 59 anos, companheiro dela, que fugiu. Ele ainda não havia sido preso até o momento desta publicação.

Karizele Oliveira Senna

Karizele Oliveira Senna, de 30 anos, foi morta a facadas na madrugada do dia 24 de janeiro em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. A vítima era natural de Butiá, na Região Carbonífera. Suas duas filhas, sendo uma pré-adolescente de 12 anos e outra bebê, de oito meses, presenciaram o crime. Um homem de 31 anos, companheiro dela, chegou a ficar foragido, mas se entregou à polícia na noite de sábado.

Leila Raquel Camargo Feltrin

Aos 25 anos, Leila Raquel Camargo Feltrin foi morta pelo companheiro após uma série de agressões durante a madrugada de 25 de janeiro. O crime ocorreu no cruzamento das ruas Rebouças e Santa Fé, no bairro São Francisco, em Tramandaí, no Litoral Norte gaúcho. Vizinhos relataram que o casal discutia desde cerca das 4h da manhã, o que motivou acionamentos à Brigada Militar (BM) por conta do barulho e da violência da situação. Quando os policiais chegaram ao endereço, o suspeito tentou fugir pulando muros de residências vizinhas, mas foi localizado e preso em seguida pela BM. A mulher deixa dois filhos pequenos.

Paula Gomes Gonhi

Identificada como Paula Gomes Gonhi, 44 anos, uma mulher foi morta com golpes de faca, dentro de casa, em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, na noite de segunda-feira. Seu companheiro, de 31 anos, foi preso em flagrante. Um jovem de 17 anos, que é filho da mulher, presenciou o fato. De acordo com a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), o criminoso desconfiava que sua namorada o traía, não sendo descartado ciúmes como motivação da morte.

Marlei de Fatima Froelick

Marlei de Fatima Froelick, 53 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro ao sair de um veículo, acompanhada da mãe e outro familiar no município de Novo Barreiro, no interior do Estado. O homem apontado como o autor dos disparos tem 57 anos e tirou a própria vida após cometer o crime na última quinta-feira. A vítima tinha registrado ocorrência policial contra o suspeito no dia 12 de janeiro assim como solicitou o encaminhamento de medidas protetivas de urgência contra ele. O Poder Judiciário não atendeu o pedido, mas após recurso do Ministério Público, a decisão foi revertida um dia antes da sua morte. O agressor não chegou a ser intimado judicialmente.

Veja Também