Lições de empatia e resiliência de grandes empresas gaúchas emocionaram o público acadêmico durante o painel Superação nas Enchentes - Saiba como quatro marcas inspiradoras enfrentaram o maior desafio climático do nosso século. O encontro aconteceu na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), no campus de Canoas e contou com as apresentações da AGCO Corporation, da Fraport Brasil, do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e do Sport Club Internacional.
O reitor da Ulbra no Rio Grande do Sul e mediador do encontro, Adriano Chiarani, lembrou da atuação da Universidade como abrigo de mais de 8 mil pessoas em maio de 2024. "Esse evento dá sequência ao trabalho que fizemos desde o ano passado. A Ulbra foi local de acolhimento, mas também de esperança. Voluntários aqui fizeram com que as pessoas saíssem com esperança. As marcas AGCO, Fraport, Grêmio e Inter também deram esperança para que as pessoas pudessem recomeçar", salientou.
O presidente da Aelbra (mantenedora da Ulbra), Carlos Melke, lembrou que a Ulbra é uma instituição que enfrentou a dor, o desafio e a incerteza da enchente. "Superamos juntos com solidariedade, coragem e propósito. Reunimos aqui empresas que também estiveram na linha de frente. Esse painel é um tributo à superação coletiva e à capacidade de transformar adversidade em reconstrução."
O vice-presidente de Administração do Inter, André Dalto, contou como o time se mobilizou para superar a inundação do gramado, dos vestiários e o do primeiro piso do Estádio Beira-Rio. Ele esteve acompanhado do vice-presidente de Patrimônio, Gabriel Nunes. "Não imaginávamos que a água chegaria. O Gigantinho estava preparado para ser abrigo, mas tivemos que cancelar. Mesmo com toda a situação, o Inter não deixou de cuidar da sociedade. Somos um clube forte e sabíamos que a recuperação seria possível. A enchente não escolheu lado e, junto com o Grêmio, fizemos várias ações", ressaltou Dalto.
Durante o período da enchente de 2024, a dupla Gre-Nal foi responsável pela campanha Jogando Junto – Pela Reconstrução do RS, ação que arrecadou R$ 76 milhões de empresas.
O diretor de operações da AGCO - empresa líder global com foco em desenvolvimento, fabricação e distribuição de soluções agrícolas -, Ronaldo Diotto, lembrou das ações de resgate, doações, limpeza e o apoio da multinacional que teve mais de 300 colaboradores que perderam casas. A AGCO foi obrigada a suspender a operação durante 30 dias. "Um líder também chora. Por tudo que vivemos, pela empatia e resiliência aumentada. Tivemos uma grande corrente de solidariedade para retribuir às pessoas. Voltamos a produzir no mês de junho, após ter garantido que nossos colaboradores estavam bem", comentou.
Diotto mostrou em vídeo a mobilização e o engajamento de funcionários que utilizaram o maquinário produzido pela empresa para retirar entulhos das ruas de diversos bairros de Canoas e permitir o acesso de colaboradores e demais moradores às suas casas. As imagens e os depoimentos emocionaram a plateia.
RECONSTRUÇÃO DO TERMINAL SALGADO FILHO
Responsável pela administração dos aeroportos de Porto Alegre e Fortaleza, a Fraport Brasil foi representada pelo gerente de Marketing e Comunicação, Rafael Guerra. O executivo falou sobre a jornada de reconstrução do terminal Salgado Filho, que ficou submerso durante 23 dias, e precisou de um plano de ação com vários órgãos governamentais para o retorno dos voos no Estado. "Um aeroporto é muito mais do que pista e um terminal de passageiros. A enchente foi um fato inédito e extraordinário. Nunca na história aconteceu isso em um aeroporto do tamanho de Porto Alegre", ressaltou. Guerra lembrou da mobilização necessária para a evacuação do espaço e a reconstrução, que envolveu desde a drenagem da água com apoio de arrozeiros, limpeza, testes com laboratórios até a montagem de uma usina de asfalto para garantir as obras na pista.
Já a executiva de Gestão de Pessoas do Grêmio, Isabel Degrazia, fez um balanço de um ano após as enchentes, destacando os desafios enfrentados, o apoio recebido de outros clubes e a força do Tricolor gaúcho com diferentes ações de solidariedade, como a maior faxina da história que reuniu 2 mil voluntários. O time teve a Arena, centros de treinamento e estruturas atingidas pelas águas do Guaíba, mas não deixou de prestar apoio à comunidade.
"A Ulbra também foi a nossa casa neste período. As nossas Mosqueteiras - atletas do futebol feminino que treinam na Universidade - ficaram envolvidas auxiliando. Tínhamos que cuidar das pessoas, por isso abrimos o Olímpico como uma central de doações. Esse conjunto de forças temos que nos orgulhar, pois muitos não mediram esforços para ajudar as famílias", comentou Isabel.
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