Uma cerimônia emocionante marcou a inauguração da escultura Heróis Voluntários, na manhã desta quarta-feira, na lateral da Usina do Gasômetro, no Centro Histórico de Porto Alegre. A escultura de 4,5 toneladas, seis metros de comprimento por dois metros de largura e quatro metros de altura foi feita em parceria entre a Federasul e a Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), com desenho do artista plástico Ricardo Cardoso. Junto a ele, foi instalada uma placa que agradece à solidariedade de milhares de pessoas envolvidas nos resgates durante as enchentes de maio.
O ato reuniu autoridades e voluntários em uma verdadeira celebração à vida. “Esta obra representa nossa gratidão e nosso muito obrigado a milhões de brasileiros que nos estenderam as mãos, comida, diesel, aeronaves, servidores públicos que vieram de outros Estados para nos socorrer. Queremos também agradecer às pessoas comuns que mostraram o que há de melhor no ser humano. Virtudes que emergiam acima das nossas diferenças, independentemente de governos ou de posições políticas”, disse o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa.
Para a presidente da ACPA, Suzana Vellinho Englert, a escultura é um novo ponto turístico de Porto Alegre. Ela também salientou o valor da cooperação diante da maior tragédia climática do Estado. “É no apoio mútuo e na força coletiva que encontramos o caminho para reconstruir nossa comunidade. Que esse momento sirva como marco do recomeço, onde as mãos que estiverem unidas para salvar vidas possam construir pontes, derrubar barreiras e transformar desafios em grandes oportunidades”, afirmou ela.
Inauguração da homenagem aos voluntários que trabalharam na enchente, próximo da Usina do Gasômetro, um dos locais onde aconteciam os resgates em Porto Alegre. A obra "Heróis Voluntários" é assinada pelo artista plástico Ricardo Cardoso.
Cardoso afirmou que este é um “trabalho com alma”. “Estou extremamente honrado por estar envolvido neste projeto através do meu trabalho, que é minha vida. É algo muito forte e significativo. A gratidão é um sentimento que está em falta no planeta inteiro”, salientou o artista, que também atuou nos resgates de pessoas na Capital. Líder comunitário das Ilhas, Atila Silveira reafirmou a emoção de vivenciar a retomada da orla depois de o local ter servido como ponto de desembarque de milhares de pessoas de sua região e de outras depois da inundação.
“Passa um filme na nossa cabeça. Aqui onde estamos, foram montadas barracas, a grande maioria de voluntários, e algumas destas pessoas não havíamos visto mais depois da tragédia. É uma homenagem que sabemos que ficará para a história”, comentou ele, ao lado de Heitor Garrido, natural do Rio de Janeiro, gerente comercial e graduado em Gastronomia que montou em Porto Alegre o projeto Heróis sem Capa, ajudando a resgatar atingidos pela inundação e cozinhar para eles. “O melhor disto tudo é que foi criado um vínculo permanente de amizade. Nos conhecemos pelas ações que fazíamos e criamos este grupo”, contou ele.
Para o prefeito Sebastião Melo, foi um dia de tristeza, mas também de alegria. “Nenhum de nós queria que isso tivesse acontecido, mas aconteceu. E este símbolo aqui é a esperança de que, juntos, estamos recuperando nossa cidade. É o símbolo da Capital e de todas as cidades atingidas. A Prefeitura, por vezes, não tinha pernas para salvar todas as pessoas atingidas nas áreas alagadas. E foram os voluntários do Lami ao Sarandi que fizeram isso. Feliz de um país, de uma cidade, do Estado, que têm um voluntariado maior do que o seu governo. Sem voluntariado não há vida boa.”
O presidente da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços (CIC) de Roca Sales, Cléber Fernando dos Santos, foi convidado a falar na tribuna sobre o significado da gratidão e da reconstrução. “A esperança está sendo retomada. O comércio está girando, e sabemos que nosso trabalho não foi em vão. Somos, acima de tudo, gratos por ter vivido este momento e trazer esta mensagem para o voluntário, que é: não desista”, afirmou o empresário, cuja entidade socorreu seus associados com um salário-mínimo ainda na primeira inundação a atingir o Vale do Taquari, em setembro de 2023, além de serviços como instalações elétricas e resgates em geral.