O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai divulgar, no próximo dia 1º de julho, os resultados da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. O levantamento foi realizado entre setembro do ano passado e fevereiro deste ano e buscou identificar os impactos provocados pelas enchentes de 2024, além de avaliar a percepção da população afetada sobre a qualidade de vida após a catástrofe. Na tarde desta terça-feira, representantes do instituto visitaram a sede do Correio do Povo, em Porto Alegre.
“A pesquisa tinha dois focos: identificar como os moradores foram impactados durante a enchente, que tipo de atendimento receberam, se precisaram ser resgatados ou não, quem realizou esse resgate, se necessitaram de atendimento médico, enfim, uma série de questões relacionadas àquele momento. O outro foco foi saber como estava a qualidade de vida dessas pessoas um ano e meio depois da enchente. Se, em questões relacionadas à renda e ao trabalho, por exemplo, a situação havia melhorado ou piorado”, explicou o superintendente do IBGE no Rio Grande do Sul, Luís Eduardo Puchalski.
A pesquisa foi feita por telefone com moradores de 133 municípios que decretaram situação de emergência ou calamidade pública durante as enchentes de 2024. Segundo Puchalski, cerca de 5 mil pessoas responderam ao levantamento, cujos dados foram analisados por técnicos do IBGE no Rio de Janeiro. Esta foi a primeira pesquisa do órgão voltada aos efeitos de um evento climático extremo. Os resultados deverão subsidiar o planejamento de políticas públicas estruturais e a criação de planos de prevenção e resposta rápida a novos desastres climáticos em todo o Brasil.
Outras pesquisas
Além da pesquisa sobre as enchentes, o IBGE se prepara para novos levantamentos importantes nos próximos anos. Ainda em 2026 terá início a coleta de dados da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada em parceria com o Ministério da Saúde, que vai investigar o acesso da população aos serviços de saúde e as condições gerais de saúde dos brasileiros.
“Pela primeira vez, nas regiões metropolitanas, além da aplicação do questionário nos domicílios, nós vamos fazer coleta de material biológico, de sangue e de urina”, revelou Puchalski.
Para 2027, está previsto o 12º Censo Agropecuário, que será realizado em todo o país. Também no próximo ano haverá, em Porto Alegre, um teste para o Censo Nacional da População em Situação de Rua.
“É um censo que o IBGE nunca fez e bastante diferente do que estamos acostumados. A coleta precisa acontecer em quatro noites, porque essa população tem mobilidade. É um levantamento importantíssimo porque parte dessas pessoas não aparecem no censo demográfico por não ser domiciliada, e sabemos que é uma parcela significativa da população, especialmente a que mais necessita de políticas públicas”, afirmou.
Já em 2030 será realizado um novo Censo Demográfico. No caso do Rio Grande do Sul, o levantamento deverá permitir uma análise mais precisa dos movimentos migratórios ocorridos no Estado em razão das enchentes. “Para nós, será um censo importante justamente para atualizar, com maior precisão, a população dos municípios gaúchos”, destacou o superintendente.
Credibilidade
Por fim, Puchalski chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelos recenseadores na coleta de dados, como a desconfiança da população, a resistência em atender os profissionais e as barreiras impostas por portarias eletrônicas. Ele ressaltou que os moradores podem confirmar a identidade dos recenseadores pelo telefone 0800 721 8181 ou pelo site respondendo.ibge.gov.br.
“Nesse site é possível inclusive ver a fotografia do recenseador. Basta digitar os dados da pessoa para aparecer o nome completo e a foto, permitindo que o morador compare com quem está na porta da sua casa”, explicou.
Além do superintendente estadual Luís Eduardo Puchalski, participaram da visita ao Correio do Povo as assessoras Krishna Predebon e Sônia Zanotto.