Cidades

Instituto de Cardiologia avança em reestruturação, projeta compra de equipamentos e reforça papel estratégico na saúde do RS

A instituição — responsável por 60% a 70% de todos os procedimentos cardiológicos realizados pelo SUS no Rio Grande do Sul — encaminha-se para a fase final da reforma de ampliação do hospital

O vice-presidente da Fundação Universitária de Cardiologia, Gustavo Glotz de Lima, e o superintendente executivo (CEO) do Instituto de Cardiologia, Leandro Gomes, durante visita à sede do Correio do Povo, onde apresentaram os projetos e resultados da instituição
O vice-presidente da Fundação Universitária de Cardiologia, Gustavo Glotz de Lima, e o superintendente executivo (CEO) do Instituto de Cardiologia, Leandro Gomes, durante visita à sede do Correio do Povo, onde apresentaram os projetos e resultados da instituição Foto : Camila Cunha

Após três anos de obras e em meio a um amplo processo de reorganização administrativa e financeira, o Instituto de Cardiologia (IC) vive uma fase de consolidação e crescimento. A instituição — responsável por 60% a 70% de todos os procedimentos cardiológicos realizados pelo SUS no Rio Grande do Sul — encaminha-se para a fase final da reforma de ampliação do hospital, que segue atuando como referência estadual em procedimentos de alta complexidade na área de cardiologia.

Crescimento no atendimento e recordes em procedimentos

Atualmente, o Instituto de Cardiologia atende cerca de 800 pacientes por dia, realiza 1.200 cateterismos por mês — cerca de 50 por dia — e mantém o maior volume de procedimentos cirúrgicos para aplicação de stents (tubo de malha expansível que auxilia o funcionamento da artéria coronária) em Porto Alegre.

Em um intervalo de 90 dias, o hospital realiza uma média de 11 transplantes cardíacos exclusivamente pelo SUS, sendo referência estadual em cirurgias cardíacas de alta complexidade.

Com 298 leitos ativos e mais de 1.300 profissionais, o IC é responsável por aproximadamente 10 mil internações anuais e mantém forte protagonismo formador: a grande maioria dos cardiologistas do Rio Grande do Sul passou pela instituição ao longo de sua formação.

Investimentos e expansão estrutural

A obra iniciada há três anos, em área de 4,5 mil m² nos fundos do prédio localizado na Avenida Princesa Isabel, está prestes a ser concluída. O espaço recebeu modernização completa e abrigará:

  • nova sala de recuperação cardíaca;
  • nova sala de recuperação pós-cateterismo;
  • hemodinâmica renovada;
  • corredor de integração com a emergência;
  • novos setores de nutrição, farmácia e recebimento de materiais;
  • refeitório para funcionários e estrutura modernizada de rouparia.

Além da nova área, viabilizada com R$ 28 milhões do Programa Avançar, outros R$ 20 milhões já foram assinados com o governo do Estado com foco na compra de equipamentos — verba que deve ser liberada em no mínimo 90 dias.

“O governo do Estado já contemplou a fundação com recurso de R$ 20 milhões, para que sejam comprados os equipamentos necessários para a nova área”, afirmou o vice-presidente da Fundação Universitária de Cardiologia, Gustavo Glotz de Lima, em visita institucional ao Correio do Povo.

A previsão é que os novos espaços entrem em operação nos primeiros meses de 2026, após o recebimento e instalação dos equipamentos importados.

Retomada da estabilidade financeira

Desde a homologação da Recuperação Judicial, em 2023, o IC alcançou resultados financeiros positivos. O hospital registrou faturamento de R$ 8 milhões em setembro e projeta repetir o desempenho em novembro, sinalizando estabilidade após anos de dificuldades financeiras, que levaram a medidas drásticas, como a venda do hospital de Viamão à prefeitura e a devolução do Hospital de Cachoeirinha ao Estado.

A instituição também convive há cerca de dois anos com uma intervenção federal, cuja negociação segue em andamento.