Dois anos após as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul e diante da projeção de um super “El Niño” no segundo semestre deste ano, o Instituto Vakinha apresentou um novo protocolo de emergências voltado à organização e à transparência na gestão de doações em situações de crise. A iniciativa foi lançada nesta terça-feira em Porto Alegre, como resposta às lições aprendidas em 2024 e como preparação para a eventual ocorrência de novos eventos extremos.
O documento estabelece diretrizes para atuação em cenários de calamidade, com foco em governança, agilidade e prestação de contas. A proposta também busca alinhar instituições e parceiros da sociedade civil para uma atuação coordenada, evitando improvisos em momentos críticos.
Segundo a diretora executiva do Instituto Vakinha, Renata Fehlauer, o objetivo é estruturar previamente a resposta a emergências, garantindo mais eficiência no uso dos recursos. “Também fazemos um convite a toda a sociedade civil e às instituições parceiras, para que estejamos todos planejados na iminência de algo acontecer. Eu acho que o papel principal do Instituto Vakinha é ser um articulador, além de ser uma instituição que fomenta e fortalece o terceiro setor”, afirmou.
Durante as enchentes de 2024, o Instituto Vakinha arrecadou mais de R$ 80 milhões, que foram destinados a diferentes frentes de ajuda e reconstrução. Conforme a diretora, a experiência serviu de base para aprimorar processos e consolidar o novo protocolo, que detalha critérios de seleção de parceiros, fluxo de recursos e mecanismos de controle. “O 2024 foi uma experiência para a gente. Fizemos algumas melhorias no processo que nós já tínhamos, entendendo o que funcionou e o que não funcionou, de forma a trazer mais governança e transparência para o segundo semestre”, explicou Renata.
O protocolo é estruturado em pilares que incluem rapidez na resposta, inteligência na alocação dos recursos e transparência na prestação de contas. A ideia é evitar distorções comuns em cenários de crise, como concentração de recursos em apenas um tipo de necessidade, sem considerar as diferentes fases da emergência. “A gente ter um protocolo desenvolvido nos garante que a gente tenha mais agilidade na iminência de uma nova circunstância, porque quando a gente está falando de emergência, a agilidade salva vidas”, destacou.
Outro ponto central é a comunicação com a sociedade, com o desafio de manter o engajamento sem gerar alarmismo. O documento também prevê mecanismos claros para garantir que doadores acompanhem a destinação dos valores.
O lançamento ocorreu no Instituto Caldeira e contou com um painel sobre a importância da articulação da sociedade civil em situações de calamidade. Estiveram presentes no encontro o presidente do Instituto Cultural Floresta (ICF), Claudio Goldsztein, o diretor do Campus Caldeira, Felipe Amaral, e o diretor-executivo da organização Coalizão RS, Tarso Oliveira.