Cidades

Justiça determina que Estado libere repasses atrasados para hospital de Sapucaia do Sul

Apesar do prazo vencer nesta terça, governo estadual prevê pagamento para até 31 de janeiro

Em frente ao prédio da casa de saúde, os funcionários aguardavam na manhã desta terça-feira por uma solução
Em frente ao prédio da casa de saúde, os funcionários aguardavam na manhã desta terça-feira por uma solução Foto : Fernanda Bassôa / Especial / CP
Trabalhadores do Hospital Getúlio Vargas, em Sapucaia do Sul, que entraram em greve na manhã desta terça-feira, aguardam pela liberação dos valores referentes a novembro que deve ser feita à Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, de acordo com decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A medida judicial, deferida a pedido da prefeitura, determina que o Estado deve comprovar o repasse do valor devido, de R$ 3.934.803,00. Caso não aconteça, os valores serão bloqueados. O prazo de 48 horas concedido pela Justiça termina nesta terça.

O Estado, entretanto, não cumprirá a determinação. De acordo com o diretor-geral da Fundação Hospitalar Getúlio Vargas, Gilberto Barrichello, em reunião nesta terça pela manhã com o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo dos Reis, o Estado se comprometeu a pagar o valor integral referente a competência de novembro e parte dos R$ 3 milhões que ainda faltam de outubro. “No entanto, a data e o quanto do valor de outubro vai ser repassado só serão definidos após reunião de Gabbardo com a Secretaria Estadual da Fazenda, que acontece na quarta-feira. A partir daí, teremos mais definições.” Segundo ele, apesar do movimento de greve, o hospital permanece aberto e atendendo normalmente.

A Secretaria Estadual da Saúde reconhece uma dívida de R$ 6,9 milhões referente à competência de novembro e parte de outubro. O valor deverá ser quitado conforme a liberação financeira por parte da Secretaria da Fazenda. A expectativa, segundo o Estado, é pagar parte do valor até o dia 31 de janeiro.

Em frente ao prédio da casa de saúde, os grevistas aguardam por uma solução. Entre o grupo, as técnicas de enfermagem do bloco cirúrgico relatavam o cansaço de pagar as contas em atraso. “Essa situação se arrasta desde setembro. Não há mais definição da data do pagamento. Tem mês que sai dia 15, 17 ou 20. Nosso salário deveria entrar no 5º dia útil do mês. Tem colegas que saíram e voltaram de férias e não receberam nada”, disse Daiane Boff, 37 anos. Indignada como ela, Adriana Azevedo, 36, disse que além do endividamento pessoal, a falta do repasse afeta nos atendimentos e qualidade dos serviços. “Faltam materiais de trabalho. Seringas, agulhas, esparadrapo.”