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Lojas do Viaduto Otávio Rocha serão inauguradas em agosto

De acordo com a prefeitura, os permissionários recebem as chaves oficialmente nesta segunda-feira, e têm até 90 dias para colocar os 29 espaços em funcionamento

Até o momento, 175 empresas já demonstraram interesse em utilizar as lojas
Até o momento, 175 empresas já demonstraram interesse em utilizar as lojas Foto : Alina Souza

Com a retomada oficial da circulação em março, depois de mais de quatro anos com obras de revitalização, o Viaduto Otávio Rocha, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, terá em alguns meses o funcionamento dos 29 espaços comerciais, também reformados. Fará a gestão do local o consórcio Confia no Centro, formado pelo Justo Bar & Gastronomia e pelo Café Mal Assombrado POA. Os permissionários devem explorar economicamente o viaduto por meio da sublocação dos espaços, assegurando um mix comercial diversificado, com atividades como bistrôs, choperias, cafeterias, livrarias e ateliês de arte.

De acordo com a prefeitura de Porto Alegre, os permissionários recebem as chaves dos espaços comerciais oficialmente nesta segunda-feira. Segundo o edital do leilão vencido em janeiro, a gestão tem 60 dias, prorrogáveis por mais 30, para colocar em funcionamento 85% das lojas. A previsão, portanto, é de que elas sejam abertas oficialmente em agosto.

Um sonho antigo

O consórcio formado venceu em janeiro a etapa de lances do edital de permissão de uso do Viaduto, como uma gestão unificada. A disputa recebeu quatro propostas, que foram analisadas pela Diretoria de Licitações e Contratos (DLC) da Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão (SMPG). Martina Mombelli, sócia-permissionária do viaduto e sócia-proprietária do Café Mal-Assombrado, conta que possuir as salas do viaduto é um sonho que permeia a sua mente e a dos proprietários do Justo desde antes do início das obras, que começaram em 2022.

"A gente já estava de olho, tentando entender o que que ia acontecer e como ia ser essa licitação. Desde o início, a gente queria pegar ao menos uma das portinhas", lembra.

Ela também recorda que o Justo foi o primeiro estabelecimento a vir para o lado em que está localizado na escadaria. Na visão de Martina, a presença do bar "revigorou" o viaduto. “Eles fizeram quase que um protótipo do que vai ser feito no viaduto, que é pegar um lugar que, antes, as pessoas tinham um certo receio e medo de passar e, no momento que dá a vida para ele, coloca iluminação, movimento e comércio, as pessoas começam a ter mais segurança de passar por ele, de estar nele, de ficar nele", conta.

É esse o objetivo que o consórcio tem para trazer movimentação aos espaços comerciais no viaduto. As lojas deverão funcionar obrigatoriamente das 10h às 22h. No último horário, hoje, os arredores da estrutura possuem pouca circulação. "Quando saiu então o edital, a gente se juntou e disse: 'Vamos dar esse peitaço?', porque a gente tinha muito medo do que seria feito aqui, de quem pagaria esse espaço e que cara daria para o viaduto".

O Justo é um empreendimento já conhecido pelos frequentadores das escadarias do Viaduto Otávio Rocha. Já o Café Mal-Assombrado possui o conceito de abordar as lendas urbanas de Porto Alegre, e que também é responsável pelo projeto turístico Porto Alegre Mal Assombrada, pioneiro na cidade e reconhecido por apresentar o lado histórico e misterioso da capital gaúcha por meio de roteiros culturais temáticos.

As lojas devem funcionar obrigatoriamente das 10h às 22h | Foto: Alina Souza

Foco no ramo gastronômico e entretenimento

Os espaços são de diferentes tamanhos, divididos em P (com uma porta) M (duas portas), G (três portas) e GG (quatro portas). Dentro das normas previstas no edital, entre 60 e 70% das lojas serão destinadas para o ramo gastronômico. O restante, 30%, será voltado a serviços de entretenimento. Nas palavras de Martina, serão espaços que a população vai poder utilizar em outros horários, não apenas de alimentação.

Até o momento, 175 empresas já demonstraram interesse em utilizar as lojas. O número surpreendeu os sócios-permissionários. "A gente achou que ia ter que lapidar um pouco mais, que 'vai vir de tudo'. Mas na verdade, é elas que estão nos dando trabalho, porque está difícil escolher entre tantas".

O momento de receber as chaves contou com uma espera, já que o processo foi prorrogado algumas vezes. "São muitas burocracias que a gente não imaginava, achava que seria bem mais rápido. Mas, quando se trata de um lugar histórico, que não é privado, é público, as coisas sempre têm que passar por mais de um lugar e setor, e demora qualquer coisa", pondera Martina.

Lajotas da escadaria do Viaduto Otávio Rocha ainda estão faltando, mesmo com a conclusão da obra | Foto: Alina Souza

Além das burocracias, os rescaldos da obra também envolveram preocupação. Mesmo que os espaços tenham sido reabertos para a circulação, ainda é possível enxergar partes inacabadas das intervenções que se iniciaram em 2022, e que contaram com atrasos. O Correio do Povo encontrou, em pontos diferentes do viaduto, lajotas e tachas do piso tátil ainda faltando. Outra parte da escadaria, próximo à rua Duque de Caxias, está com faixa de sinalização. Martina afirma que a equipe está acompanhando os pontos da obra e em diálogo com a prefeitura, para que esteja tudo em ordem para o momento da entrega das chaves aos lojistas. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) foi procurada para esclarecer a situação da obra, e o espaço segue aberto.

Parte da escadaria do Viaduto Otávio Rocha, próximo à rua Duque de Caxias, está com faixa de sinalização | Foto: Alina Souza

"Vai também da nossa gestão gerenciar esses dois lados e ver o que é melhor para o lojista, porque, afinal, é ele quem vai atender o público e quem vai fazer parte dessa grande estrutura que é o viaduto. E o propósito dele é atender bem a população", afirma Martina.

Com as lojas reabrindo em agosto, a previsão é de que seja realizado um evento oficial de inauguração em setembro, para que os lojistas tenham tempo para se acomodarem nos novos estabelecimentos.

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