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Maioria dos motociclistas adere à faixa exclusiva na avenida Assis Brasil quase um mês após implantação

Projeto experimental está implantado em quatro quilômetros da avenida, na zona Norte de Porto Alegre

Projeto experimental da motofaixa da Av. Assis Brasil, na zona norte de Porto Alegre
Projeto experimental da motofaixa da Av. Assis Brasil, na zona norte de Porto Alegre Foto : Camila Cunha

A motofaixa da zona Norte de Porto Alegre, na avenida Assis Brasil, de quatro quilômetros de extensão, instalada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) entre a rua Joaquim Silveira, próximo ao Terminal Triângulo, e a avenida Bernardino Silveira Amorim, nas imediações da rótula da Fiergs, tem sido aprovada por condutores que trafegam pela via.

Primeira da Capital, a faixa de cor azul, instalada na metade de outubro, é um teste, e funciona de maneira experimental até 31 de março de 2026, após autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), já que a sinalização da faixa preferencial não está prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O prazo pode ser renovado.

Em um dia desta semana, a reportagem permaneceu das 9h às 9h20min na Assis Brasil, fora do horário de pico, contabilizando 14 motocicletas que passaram dentro da faixa, e outros sete fora. Seu uso não é obrigatório, mas serve para balizar a via preferencial para motociclistas e reduzir o número de acidentes. Com 1,20 metro de largura e diversas placas indicativas próximas, ela tem o limite de velocidade estabelecido em 60 quilômetros por hora, similar às vias do entorno.

"Acho que as pessoas precisam apenas se acostumar um pouco mais para usá-la. Eu vou andar dentro dela, caso precise. O que dá mais acidente aqui é que o pessoal anda muito rapidamente ou não muda de faixa com a sinalização adequada", disse o gerente de uma autoelétrica próxima, Alessandro Bauer. A EPTC não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as primeiras semanas de uso da faixa, porém confirmou já ter havido inclusive um atropelamento no local, sem feridos graves.

O presidente do Sindicato dos Motociclistas e Ciclistas Profissionais do RS (Sindimoto-RS), Valter Ferreira, disse que os trabalhadores "estão apoiando a medida de forma quase unânime". Ele aponta que o tempo de testagem, de 180 dias, é um entrave para que a faixa, cuja eficácia já foi comprovada, comentou o presidente, seja implementada em outros lugares de Porto Alegre.

"É um prazo absurdo para ser feita uma análise de quatro quilômetros. Se o Senatran fizesse uma análise de 60 dias, nem precisaria também, com 30 dias está mais do que comprovado. De maneira geral, os motociclistas estão utilizando a faixa, uns até porque não têm tanta habilidade com a moto, mas para ter mais segurança. A gente já fez um acompanhamento, e faremos outro no próximo mês. Acredito que fomos felizes nesta conquista", comentou ele.

Conforme a EPTC, motos representam 12% do fluxo diário total na avenida, com 2,7 mil delas em um total de 23 mil veículos. Antes da implantação, a EPTC levantou os sinistros de trânsito entre 2020 e 2024, contabilizando 547 ocorrências, sendo 120 com motocicletas envolvidas. Do total, 83 pessoas ficaram feridas e três morreram, conforme os dados oficiais.

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