Mais um cervo exótico, da espécie invasora Axis axis, desta vez uma fêmea jovem, foi capturado nesta semana em um espaço considerado de área urbana no bairro Santa Rita, na cidade de Guaíba, na Região Metropolitana. O animal silvestre foi localizado em um terreno baldio, quase limítrofe com um canal de drenagem pluvial, próximo da Avenida Ismael Chaves Barcelos.
Depois de apreendido, o cervídeo foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), do Ibama, na Capital, órgão que deu a destinação correta ao animal. Este é o segundo cervo apreendido na cidade neste ano. O primeiro resgate foi de um cervo macho, da mesma espécie, encontrado na piscina de uma residência no bairro Chácara das Paineiras, em 22 de fevereiro.
Segundo a bióloga da Secretaria Municipal de Planejamento, Gestão Territorial e Meio Ambiente (SEPLAGMA), Lisiane Becker, uma ligação foi feita para o Corpo de Bombeiros na manhã do dia 19 de julho informando sobre a possível localização do animal. Uma operação força-tarefa foi montada de forma imediata e uma equipe do órgão ambiental municipal (SEPLAGMA) juntamente com três integrantes do Corpo de Bombeiros de Guaíba deslocaram para a área indicada. A ação durou cerca de duas horas até a captura do cervo.
“Ele é extremamente ágil, pode saltar por cima de uma pessoa. E também é um ótimo nadador. Ele se desloca tanto por terra quanto por água. Possivelmente há mais um animal da mesma espécie solto naquela área. Ele estava entre uma vegetação campestre, arbustiva”, disse a bióloga.
O médico veterinário, Paulo Guilherme Carniel Wagner, analista ambiental responsável pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS), do Ibama, disse que é importante frisar que esta espécie foi introduzida aqui no Estado. “Ela veio da Índia e foi colocada intencionalmente aqui, em fazendas de caça, no século 20. É uma espécie de plasticidade, que se adapta muito bem a diversos climas. O cervo está presente na Austrália, na Argentina, no Texas. Já houve registros no litoral de Santa Catarina, no Paraná e muitos deles estão presente no Uruguai, que desde a década de 90, pois se utiliza deste animal para a caça esportiva, que lá é regulamentada.”
Segundo Paulo Wagner, possivelmente eles estão entrando no Brasil de forma terrestre, deslocando através de uma migração natural. “Por isso, espécie invasora exótica. Não é da nossa fauna e tem competido com os nossos animais nativos. Isso causa um impacto e um dano ambiental terrível, bem como riscos sanitários imensos. Há grandes impactos ambientais e destruição da biodiversidade.”
As autoridades de Guaíba seguem em alerta e monitorando as áreas quanto ao surgimento de novos animais. Entretanto, a comunidade tem papel fundamental em informar os órgãos competentes caso animais como estes sejam vistos na cidade. “Nunca o morador deve tentar resgatar estes animais. Ele é silvestre e ao se sentir ameaçado, corre o risco de machucar alguém. As autoridades devem ser acionadas. É preciso buscar auxílio dos órgãos públicos competentes ou de profissionais habilitados. Eles saberão como proceder”, comenta a bióloga da Prefeitura.
Atendimento para ocorrências com elementos da fauna silvestre, os cidadãos devem recorrer à SEPLAGMA, pelo telefone 3480.7060, ou contatar os bombeiros 98595-1962 ou 193.