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Metroviários fazem manifestação na Estação Mercado, em Porto Alegre

Categoria cobra proposta financeira da Trensurb e exige retirada da empresa da lista de privatizações

Representantes do Sindmetrô entregaram panfletos e conversaram com usuários
Representantes do Sindmetrô entregaram panfletos e conversaram com usuários Foto : Mauro Schaefer

Os metroviários da Trensurb realizaram um ato na tarde de quinta-feira (10), na Estação Mercado, em Porto Alegre, para publicizar o impasse nas negociações do acordo coletivo e a permanência da empresa na lista de privatizações do governo federal. A mobilização integra um movimento nacional, com pautas como o fim da escala de trabalho 6x1 e a taxação das grandes fortunas.

No Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Metroviários (Sindimetrô-RS) declarou estado de greve na semana passada. Segundo os trabalhadores, apesar de mais de dois meses de negociações, a Trensurb ainda não apresentou nenhuma proposta financeira.

A data-base da categoria é 1º de maio. “Estamos quase entrando em agosto e a empresa ainda não apresentou nada”, afirmou Rubenval Piedade, segurança metroviário e diretor do Sindimetrô. “Nosso objetivo hoje é chamar a atenção da população para as nossas condições de trabalho, que seguem sendo ignoradas”, disse.

Outro ponto criticado pelos trabalhadores foi a precarização do trabalho, especialmente no setor de segurança. Piedade relatou falta de efetivo, ausência de capacitação e descumprimento de decisões judiciais. “ Nosso carro-chefe é a condução das torcidas, em que fazemos serviço de batalhão de choque sem os mesmos equipamentos que eles têm”, afirma.

O ato também teve como foco a luta contra a privatização da empresa. A Trensurb consta no Programa Nacional de Desestatização (PND) desde 2017. “O atual presidente prometeu retirar a empresa da lista, mas já se passaram 921 dias e isso não aconteceu”, afirmou a vice-presidente do sindicato, Ana Almada. “Tivemos reuniões com integrantes do governo, todos dizem que não será privatizada, mas enquanto isso não for oficializado, seguimos na luta.”

Ela também relacionou a ausência de avanços na negociação salarial com a indefinição sobre o futuro da Trensurb. “A justificativa é de contenção de gastos, mas quem reconstruiu a empresa foram os próprios metroviários”, disse.

A entidade reivindica, ao menos, a reposição da inflação do período. “As perdas salariais acumuladas ultrapassam 20%, mas pedimos que a proposta passe de 5,3%, que é a inflação. O mínimo seria garantir isso”, acrescentou. Segundo Ana, a Trensurb se comprometeu a apresentar uma proposta financeira em nova reunião marcada para a sexta-feira (11).

Durante a mobilização, trabalhadores exibiram cartazes e distribuíram panfletos informativos. Com uso de microfone e caixa de som, lideranças sindicais revezaram-se em falas críticas à condução da empresa e às políticas nacionais que, segundo eles, penalizam a classe trabalhadora. Também participaram representantes de outras entidades de classe.

A Trensurb foi questionada a respeito da manifestação e, em nota, afirmou que as negociações “ocorrem normalmente”. A empresa também afirmou ter apresentado, na sexta-feira (11), uma proposta à categoria.

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