Cidades

Ministério Público de Contas pede suspensão das atividades do Conselho do Plano Diretor de Porto Alegre

Procurador-geral aponta risco de insegurança jurídica a deliberações do conselho no caso de continuidade dos encontros

Conselho municipal está diretamente envolvido na revisão do Plano Diretor de Porto Alegre
Conselho municipal está diretamente envolvido na revisão do Plano Diretor de Porto Alegre Foto : Mauro Schaefer

O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Sul (MPC-RS) pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) a suspensão imediata das reuniões e deliberações do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA), conhecido como Conselho do Plano Diretor, em Porto Alegre. A medida foi oficializada na tarde de quarta-feira (23), mas o pedido foi encaminhado na última sexta-feira (18).

No documento, o procurador-geral Ângelo Gräbin Borghetti requer, em caráter de urgência, que o Executivo municipal interrompa todas as atividades do conselho até que o TCE analise o mérito da representação. O pedido ocorre em meio a análise de supostas de irregularidades na eleição dos nove ocupantes de vagas para entidades não-governamentais que compõem o CMDUA.

O MPC cita uma decisão judicial de fevereiro deste ano que reconheceu a ilegalidade de itens do edital da eleição, que possibilitou que cadeiras destinadas à sociedade civil fossem ocupadas por entidades governamentais no conselho.

Entre os pontos questionados pelo MPC também estão a falta de publicidade no processo de inscrição das entidades. Embora a decisão esteja sob apelação, o órgão de controle considera temerária a continuidade das reuniões do colegiado enquanto não houver julgamento definitivo. “A continuidade da realização das sessões do referido conselho, com análise e votação de temas como esses, implica insegurança jurídica e risco de superveniente anulação de todas as deliberações tomadas”, diz o procurador-geral no documento.

O conselho é órgão máximo de participação da sociedade na gestão da política urbana. É o elo da gestão do Executivo municipal com a sociedade e tem, entre as suas funções, orientar a gestão nas matérias de desenvolvimento urbano-ambiental.. O colegiado também está diretamente envolvido na revisão do Plano Diretor.

O Ministério Público de Contas solicita que, no mérito, seja anulada a eleição das entidades não governamentais e realizado novo processo seletivo conforme a legislação vigente. Até que essas medidas sejam comprovadas, o órgão pede que não ocorram mais sessões ou votações no CMDUA.

Em fevereiro deste ano, uma decisão judicial determinou a anulação de parte da eleição do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre para o biênio 2024/2025. A decisão, proferida pela 4ª Vara da Fazenda Pública, se deu em ação movida por entidades do setor, como os institutos de Arquitetos do Brasil (IAB) e Brasileiro de Direito Urbanístico (IBDU).