“Não dá nem para cozinhar”, desabafa Cléo Domingues, moradora do bairro Costa e Silva. Segundo a dona de casa, desde o final de 2024 o gosto e o cheiro da água estão diferentes. Os relatos sobre alterações, que já são comuns neste período do ano, têm aumentado nos últimos dias, principalmente na zona Norte de Porto Alegre.
“É um líquido levemente amarelado, com gosto de ferrugem que sai das torneiras. Não há a possibilidade de consumir e nem de oferecer para os meus netos ”, relata Cléo. Ela acrescenta que, para poder preparar os alimentos, se hidratar e passar o café gasta uma média de R$ 40,00 por semana. “Tenho que comprar quatro bombonas, que custam uma média de R$ 10,00 cada um. Acontece que recebo ajuda do governo federal e não posso ter este gasto extra”, lamenta.
Mesmo problema é relatado por Allan Gomes, também morador do Costa e Silva, por Amanda Cristina Pimentel, que reside no Parque dos Maias. Ambos disseram que o gosto ruim da água se potencializou nos últimos dias. Apesar dos depoimentos, o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) informou, por meio de nota, que a água é própria para consumo. As alterações de gosto e odor, segundo o órgão, são atribuídas à redução natural do nível do Guaíba durante a estação menos chuvosa do ano.
De acordo com o Dmae, a dose de dióxido de cloro usada no tratamento da água foi aumentada com a intenção de minimizar as alterações no gosto e odor na água tratada. “Os pontos de captação de água bruta dos sistemas São João e Moinhos de Vento são próximos, ambos localizados no entorno da rua Voluntários da Pátria. Estas alterações, percebidas por parte da população, não representam quaisquer riscos à saúde. Trata-se de um fenômeno natural do Guaíba no verão”, explica a diretora de Tratamento e Meio Ambiente do Dmae, Joice Becker. Ao todo, são realizadas 2,4 mil análises diárias da água de Porto Alegre, tanto nos pontos de captação, quanto em todas as etapas do tratamento e distribuição.