Cidades

Moradores ilhados do Guarujá seguem em casa para evitar perdas e temem novo aumento repentino do Guaíba

Ruas nas próximas da orla do bairro, na praça Zeno Simon, estão bloqueadas por conta da inundação

Moradora tem a casa cercada por água no bairro Guarujá
Moradora tem a casa cercada por água no bairro Guarujá Foto : Pedro Piegas

A cheia do Guaíba segue castigando moradores da zona Sul de Porto Alegre, principalmente no bairro Guarujá. Diversas quadras localizadas nas proximidades da praça Zeno Simon estão bloqueadas por conta de pontos de alagamentos. Mesmo estando ilhados, muitos moradores não pretendem sair de caso tão cedo, por conta do temor de sofrerem com a criminalidade.

Apesar disso, a cheia não chega a atingir a maioria das casas. Para um destes moradores, Nelson Santolin Júnior, que reside na avenida Guarujá, em frente ao arroio que deságua no Guaíba, a saída ocorrerá apenas se a água atingir o pátio do seu imóvel. Além de cuidar da própria casa, ele montou cadeiras em frente ao lar para ajudar no monitoramento das demais residências da região.

“A esperança é que o Guaíba não suba mais, mas o vento e os rios do interior não indicam isso. Dentro de casa eu já ergui parte dos meus pertences. Ano passado eu perdi tudo o que tinha, agora não quero passar por isso mais uma vez. Por isso também estou aqui monitorando o pessoal que gosta de fazer ganhos na casa dos outros. No domingo deixei minha esposa e a nossa gata em um lugar seguro e voltei para cuidar da segurança. Enquanto a água não entrar dentro de casa, seguirei aqui”, contou o morador.

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No Guarujá, um dos pontos mais atingidos é o cruzamento das ruas Oiampi e Jacipiua. Entretanto, o avanço do Guaíba já causa transtornos em outros pontos, como na esquina das ruas Jacipuia com a dos Guenoas, onde a moradora Cristina Abbud está ilhada dentro de casa, mesmo com a água ainda não tendo atingido o seu pátio.

“Já tirei meu carro daqui, assim como todos os vizinhos aqui da rua, pois ficamos com medo de que o Guaíba pudesse avançar e não tivéssemos tempo de retirar os veículos. Também fizemos estoque de alimentos e de marmitas quando vimos que a água estava subindo. E assim um vizinho ajuda o outro. Nesta semana, precisei ir no médico e foi toda uma logística para conseguir sair daqui, pois estamos ilhados”, completou.

Na tarde desta terça-feira, equipes da Defesa Civil Municipal estavam no bairro com auxílio de drones fazendo o levantamento das áreas atingidas pela cheia. Em Ipanema, apesar do Guaíba alto, há apenas um ponto de acúmulo de água na esquina da avenida Guaíba com a rua Leblon. Já no Extremo Sul, no Lami, a rua Beco do Pontal, que dá acesso à orla do bairro, segue bloqueada por alagamento na pista. Além disso, equipes do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) ainda atuam na região para a limpeza dos resíduos trazidos pela cheia.