Apesar da estabilidade do nível do Jacuí na Ilha da Pintada, em Porto Alegre, ele permanece na cota de inundação e aumenta o número de ruas bloqueadas pela água. Hoje, foram feitas três remoções de quatro famílias em áreas de risco no local, que foram dirigidas ao abrigo da KTO Arena. Equipes da Defesa Civil estão percorrendo a região das Ilhas, com ação de entrega de cestas básicas no braço norte da Ilha dos Marinheiros e, junto com o Exército, ação de remoção para aquelas famílias que não tiveram a casa atingida ainda, e resgates dos que estão em áreas de risco.
"Hoje a gente mantém a operação na parte da tarde para as que estão inundadas. As pessoas não querem sair, e a gente também não tem ordem de evacuação. A gente permanece com as equipes monitorando a régua, que se estabilizou", relata Tiago Belinski, coordenador de Redução de Riscos da Defesa Civil de Porto Alegre. O rio está correndo no sentido Sul, o que é uma boa notícia para o órgão, porque o nível pode baixar nos próximos dias.
Na saída da Ilha do Pavão, sentido Eldorado do Sul, às margens da BR 290, chama a atenção a quantidade de carros estacionados em níveis mais altos, em áreas onde a água não chegou. O acesso terrestre à ilha já está bloqueado por conta dos alagamentos. Na Ilha das Flores, a água também sobe, com acessos que, até ontem liberados, hoje já bloqueados.
Alguns acessos para a Ilha da Pintada também já estão bloqueados pela água, como na rua dos Pilares. O Guaíba atinge 2,58 metros na região, de acordo com última medição da Defesa Civil, sendo que a cota de inundação é de 2,20 metros. A rua Nossa Senhora da Boa Viagem permanece uma das mais alagadas por lá, não sendo mais possível acessar com veículos terrestres.
Na rua perpendicular, Salomão Pires Abraão, o dono de um mercado, Gustavo Leal, relata que a água havia baixado, mas voltou a subir pela manhã. "Acredito que não vai mais subir tanto, mas se encher mais, não abro aqui, vou esperar baixar", relata.
Ele diz estar acostumado a enfrentar enchentes na região. "Quase sempre tem enchente, mas de uns anos pra cá foi aumentando o volume", diz. Na do ano passado, permaneceu no segundo piso da sua casa, que fica ao lado do mercado, mas perdeu todos os pertences do estabelecimento e teve que comprar tudo de novo. Desta vez, já subiu algumas coisas e se prepara para, caso a água avance, desligue os freezers para que eles possam voltar a funcionar normalmente depois.
A moradora da rua dos Marinheiros, Neuza Silveira, de 61 anos, está abrigada em outra casa também na rua Salomão, junto com outras duas famílias, desde sábado. Usando o único casaco que conseguiu resgatar na enchente de maio do ano passado, conta que a água na rua está na altura dos joelhos. Saiu junto com seu marido, sobrinha e genro, com mais três cachorros – Farofa, Isabela e Billy. Ela foi contemplada pelo programa Compra Assistida e aguarda o processo de liberação para mudar-se para Pinhal.
Nas ruas Japeju e Bananal, o acesso só é possível com barco por conta do alagamento. Vagner Batista de Abreu Rodrigues, morador da rua Bananal, estava carregando, em uma mão, uma televisão e, em outra, um cooler. “Estamos levando tudo de mais valor, porque começou a voltar os roubos. Tem enchente, tem roubo”, diz. Ele está indo para a Lomba do Pinheiro. “A água está entrando pela minha porta e já está molhando tudo”, relata.
Nível do Guaíba pode atingir e oscilar na cota de inundação
A Defesa Civil de Porto Alegre projeta que os volumes de água dos rios afluentes devem chegar ao Guaíba entre essa terça e quarta-feira, podendo manter os níveis elevados e de que, no Cais Mauá, permaneça acima da cota de alerta. A possibilidade é de atingir e ficar oscilando em torno da cota de inundação (3 metros) ainda nas próximas horas desta terça-feira. Tudo depende das variações provocadas pelo vento e pela chegada do volume de água.
Nesta manhã, o Guaíba apresentava agitação e ondas. O nível está em 2,84 metros, conforme última medição no Cais Mauá, subindo cinco centímetros nas últimas 12 horas e chegando ao quinto dia consecutivo na cota de alerta.
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