Cidades

Na Federasul, especialistas discutem percepções sobre o Centro Histórico de Porto Alegre

Reunião-almoço discutiu o futuro e a transformação dos centros históricos

Tá na Mesa - Discussão as cidades e o futuro dos centros históricos.
Tá na Mesa - Discussão as cidades e o futuro dos centros históricos. Foto : Pedro Piegas

Os aprendizados com o Centro Histórico de Porto Alegre e como a Capital pode ser vetor de transformação para outras cidades foi tema da reunião-almoço Tá Na Mesa, promovida pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (Federasul), na Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), nesta quarta-feira. Com o tema “O futuro dos centros históricos: o que aprendemos com a capital dos gaúchos para transformar outras cidades”, debateram o assunto Cezar Schirmer, Secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de POA, Irio Piva, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL POA) e Sabrina Leal, Fundadora da In Loco Pesquisas.

A CDL realizou uma pesquisa em julho deste ano nas regiões Norte, Leste, Centro e Sul de Porto Alegre para mensurar percepções, atitudes, comportamentos e expectativas dos cidadãos em relação ao Centro Histórico. Foram 1.100 casos na pesquisa, distribuídos de acordo com parâmetros populacionais. Entre os resultados, foi apontado que 37,7% dos empresários que tinham empresas no Centro Histórico citam piora da qualidade dos serviços públicos como um motivo para tirar seu negócio. Em relação à segurança, 47,5% dos empresários e profissionais liberais acham que houve piora. O que também piorou, para os entrevistados, foi a percepção de limpeza, com 42,5%.

O estudo aponta que o principal motivo de esvaziamento do centro envolve a piora na qualidade dos serviços, como o aumento do aluguel, a diminuição do movimento e a segurança, fatores potencializados pelas enchentes. Ainda que sejam diferentes fatores, a pandemia e a prefeitura municipal estão elencadas na pesquisa como motivos que influenciam nas condições do Centro Histórico. Mas a enchente, no entanto, lidera como principal fator. "É um fator relevante e que nos mostra que a construção de soluções cidades resilientes é uma pauta urgente que está ocorrendo em frequências cada vez maiores", afirmou Sabrina.

Irio Piva afirmou que um dos principais objetivos no momento é dar visibilidade ao Centro, já que a percepção pode mudar para quem não vive na região. “Os centros históricos foram esvaziados nos centros históricos, e o mundo inteiro vive esse problema. Alguns lugares perceberam com mais antecedência e começaram a fazer transformações, outros demoraram mais para começar essa transformação”, afirmou. Ele acredita que questões como processo de digitalização, que as pessoas perderam a necessidade de ir ao local para resolver os seus problemas do dia a dia, e que a pandemia acelerou a situação. Ele também elencou como terceiro fator de esvaziamento e prejuízos a enchente, que afastou muitas pessoas da região.

Sobre o futuro do Centro Histórico, Schirmer afirmou que investimentos e iniciativas governamentais estão mudando o cenário da região, com mais de R$ 100 milhões investidos em 4 anos. “Com credencial, nós vamos investir mais de 400 milhões com financiamento internacional do Banco Mundial e da agência francesa de desenvolvimento. Esses investimentos são em diferentes áreas, desde obras, ações de proteção contra cheias, calçadas, recuperação de patrimônio histórico com ruas, estratégias de turismo cultural”, disse. Para o secretário, a segurança envolve todo o poder público e a comunidade, e que o grande problema no Centro Histórico é a percepção geral, principalmente de quem não mora na região.

Perguntado sobre como as revitalizações podem não prejudicar empresários da região, Schirmer afirmou que os erros trouxeram aprendizados para encontrar caminhos alternativos de para cada espaço, e reforçou que deverá haver mais diálogo entre secretarias para evitar prolongamentos e prejuízos. Mas ressaltou que sempre haverá problemas, considerando a complexidade das revitalizações. "Se é uma construção nova de uma outra cidade, é muito mais fácil. Agora, reforma, recuperação, revitalização, intervenções urbanas são sempre muito complexas, elas geram problemas. Nós aprendemos muito com o quadrilátero, exatamente em função dessas reclamações serem justas e verdadeiras”,

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O secretário também afirmou que há ações para o Esqueletão, que já foi demolido, de complexo de equipamentos públicos para a área da cultura, educação, saúde e assistência social, envolvendo a iniciativa privada. “O esqueletão é um símbolo bem significativo. Era uma ferida no centro de Porto Alegre, tinha 70 anos de um marco negativo, um símbolo da decadência do Centro Histórico, e a sua derrubada tem o simbolismo da reconstrução. Ali, nós estamos estudando um destino que tem essa inserção neste contexto de recuperação e revitalização”, disse Schirmer. O terreno ainda é privado, e a prefeitura pretende desapropriar o espaço, mas sem sustos, já que os proprietários antigos devem IPTU. O valor ainda está sendo atualizado pela Secretaria da Fazenda.