Diante da determinação judicial, e da manutenção da liminar, que proíbe a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan/Aegea) a realizar novas perfurações de poços artesianos no Aquífero Águas Claras, na cidade de Viamão, e de explorar a captação de águas dos poços já perfurados e instalados, as famílias da Associação dos Moradores de Águas Claras e Lago Tarumã reivindicam pela retomada da construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Itapuã – Lami.
A obra, segundo o professor Jamir Silva, é considerada uma das alternativas mais assertivas para sanar o problema do abastecimento de água de Viamão e Alvorada. Os serviços na ETA encontram-se parados após quase uma década de investimentos públicos. O projeto, anunciado em 2015 e iniciado em 2021, previa um aporte de R$ 182,3 milhões e aumento de até 50% na oferta de água para a região até 2025. A questão voltou a ser debatida em coletiva realizada nesta quarta-feira, no auditório da Coopernorte.
"Em fevereiro deste ano, após a privatização da Corsan, as obras foram suspensas e, propondo como alternativa, a Companhia optou pela perfuração de poços e pela exploração de água subterrânea, o que se torna mais barato para a empresa." Conforme Silva, um novo documento surgiu no início da semana informando que a empresa estaria atuando em Águas Claras sem licença de estudo de impacto ambiental e sem projeto técnico, como havia sido denunciado. "Há irregularidades e isso foi apontado pela Fepam. Acionamos o Ministério Público Federal e o Ibama pela questão dos indígenas e dos quilombolas. Há uma série de danos ambientais irreparáveis."
O deputado estadual Adão Pretto Filho, esteve ao lado da comunidade, defendendo os interesses do desenvolvimento da cidade, garantindo o seu compromisso com o meio ambiente. "Viamão hoje é a cidade que tem maior potencial da Região Metropolitana, mas defendo um desenvolvimento equilibrado, responsável e em diálogo com a sociedade. Defendo a retomada da obra da ETA Itapuã, que já recebeu mais de R$ 100 milhões em investimentos do governo federal, via PAC", disse.
A CORSAN SE POSICIONA DA SEGUINTE FORMA:
Em relação aos investimentos em Viamão, a Corsan reitera que está implementando a solução mais segura, eficiente e sustentável para fortalecer o abastecimento de água na cidade. O modelo adotado é baseado em decisões técnicas e atende aos requisitos para que seja mantida a capacidade de oferta de água em quantidade suficiente para as necessidades da população, mesmo em caso de secas ou enchentes.
Os seis poços tubulares profundos perfurados na região de Águas Claras cumprem todas as exigências legais. O Departamento de Recursos Hídricos e Saneamento do Estado e a Fepam já concederam, respectivamente, as outorgas para exploração dos poços e a licença ambiental para implantação do sistema de abastecimento.
A água distribuída pela Corsan é segura e atende todos os parâmetros de potabilidades exigidos pelos órgãos de saúde e de fiscalizadores. Diariamente são realizadas dezenas de testes, que asseguram a qualidade do produto entregue para população. A captação de água feita em poços não é uma prática nova na Companhia. Já existem mais de mil deles em operação em todo o Rio Grande do Sul.
A Companhia salienta que a decisão de não dar continuidade à construção de uma estação de tratamento de água (ETA) na cidade também está baseada em princípios técnicos e estudos hidrogeológicos, que levaram em conta a nova cota de inundação no município, eventos climáticos extremos e os gerenciamentos operacionais. A Corsan segue conduzindo o processo com transparência junto ao Ministério Público, à Prefeitura e a lideranças locais, estando plenamente aberta ao diálogo.
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