Quase 40% da água que é coletada em mananciais e tratada não chega às torneiras dos lares para consumo dos gaúchos. O volume de água desperdiçado por dia no RS equivale a 512 piscinas olímpicas. Somente em Porto Alegre, o desperdício diário equivale a 38 piscinas.
Os dados são de estudo publicado nesta quarta-feira, 5, pelo Instituto Trata Brasil (ITB). O estudo foi elaborado a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS, ano-base 2022). De acordo com o ITB, a água desperdiçada no País seria suficiente para abastecer 54 milhões de pessoas.
O estudo aponta que a água potável perdida na operação no país abasteceria toda população do Rio Grande do Sul (10,6 milhões de habitantes) por mais de cinco anos ou seria suficiente para abastecer o equivalente a toda população da região Nordeste. Enquanto isso, cerca de 32 milhões de brasileiros não têm acesso ao abastecimento de água.
No Rio Grande do Sul, a perda é de 39,5%, de acordo com o estudo. O desperdício d’água no Estado é um pouco superior à média nacional, que é de 37,78%, e da média da região Sul, que é de 36,65%. No ranking dos estados que menos têm perdas, o RS é o 13º.
No Brasil, Goiás é o estado com menor percentual de perdas, com 28,34%. A pior situação é do Amapá, onde 71,14% da água tratada não chega na ponta para o consumo.
De acordo com o instituto, o desperdício exacerbado resulta em impactos ambientais severos. “Os efeitos das mudanças climáticas, como vemos na tragédia vivida pela população do Rio Grande do Sul, estão cada vez mais presentes no Brasil, afetando diretamente a disponibilidade hídrica para a população. Esforços e investimentos em redução de perdas de água são necessários para mitigar os impactos climáticos, promover maior segurança hídrica e fortalecer a infraestrutura das cidades", diz a conclusão do estudo.
O Instituto Trata Brasil (ITB) é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que surgiu em 2007 com foco nos avanços do saneamento básico e na proteção dos recursos hídricos do país.
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Zerar perdas seria o ideal, mas é possível?
No processo de abastecimento de água, pode haver perdas por vários motivos, como vazamentos, erros de medição e consumos não autorizados. De acordo com o ITB, esses desperdícios trazem impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das empresas. Não ter perdas no sistema seria o ideal, mas é algo inviável por limites econômicos, pois em determinado ponto, o custo fica superior ao do volume recuperado, e por limites técnicos, pois existe um volume mínimo de perdas dadas as tecnologias atuais de materiais, ferramentas e logística.
No Brasil, a definição de nível aceitável de perdas de água foi definida pela Portaria 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), que indica que para um município contar com níveis excelentes de perdas, deve ter no máximo 25% em perdas na distribuição.