Cidades

Obra inacabada em praça causa indignação em moradores do Centro Histórico de Porto Alegre

Segundo associação adotante do local, instalação inacabada de fibra ótica por terceirizada da operadora Tim deixou pedras soltas na calçada e até fiação colocada em meio às plantas

Calçada da Praça Daltro Filho, em frente à Cinemateca Capitólio
Calçada da Praça Daltro Filho, em frente à Cinemateca Capitólio Foto : Camila Cunha

Obras realizadas por uma empresa terceirizada da operadora de telefonia Tim causam preocupação e uma espécie de limbo há algumas semanas a moradores do entorno da Praça Daltro Filho, no Centro Histórico de Porto Alegre. Fiações e pedras soltas, cabos largados junto às plantas e inclusive a remoção de um toldo utilizado como abrigo pela Brigada Militar (BM), também deixado de lado pelos funcionários, provocaram a sensação de que o serviço não foi finalizado da maneira adequada.

Moradores e a Associação Amigos da Praça Daltro Filho (AAPDF), adotante do logradouro, relatam haver falta de comunicação com a companhia. "Nenhuma informação chega até nós. E não visualizamos ninguém trabalhando", disse um representante da AAPDF, falando sob condição de anonimato. De acordo com ele, a AAPDF tentou contato com a Tim há alguns dias, solicitando providências e um posicionamento definitivo, mas não houve resposta.

“Considerando que a associação não pode exercer o poder de polícia, o que está ao nosso alcance é reportar o problema às autoridades competentes, para que implementem as medidas necessárias à apuração dos fatos”, disse o representante. O problema não ocorre somente na praça, mas se estende à rua Coronel Genuíno, ao lado dela. No local, no lado da avenida Borges de Medeiros, há ainda um ponto de táxi com intenso movimento. Questionados, os taxistas também não souberam relatar o estado do andamento dos trabalhos.

“A empresa deixou as pedras soltas, a calçada está terrível, toda desnivelada e com peças faltando”, comentou o representante da associação. Ele disse que, no começo, a região chegou a ficar sem luz por uma semana, em razão de a companhia responsável pela obra ter aberto valas na calçada e deixado a fiação da iluminação da praça exposta, que acabou sendo furtada. “Vários absurdos foram acontecendo sistematicamente”.

Ele confirmou que a aquisição de plantas e manutenção de jardins são custeados por contribuintes da AAPDF, mas que este investimento está sendo desperdiçado diante do descaso. “Não sabemos se a Prefeitura autorizou ou está fiscalizando a obra”, relatou. O projeto de adoção de praças é coordenado, em Porto Alegre, pela Secretaria Municipal de Parcerias (SMP), que, procurada, disse não ser responsável pela questão, orientando procurar a pasta do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus).

Ela, por sua vez, disse que realizou vistoria na praça, constatando também os problemas. “A fiscalização da prefeitura foi acionada para verificar as condições de entrega da obra e tomar as medidas necessárias para correção ou nova execução da obra”, prosseguiu a Smamus, em nota, acrescentando que a autorização para obras não é feita via esta secretaria. Já a Tim, também em nota, disse que não possui infraestrutura própria de rede fixa em Porto Alegre, mas reconheceu o problema e disse que irá apurar a situação da obra. Ainda, afirmou que “tomará as providências necessárias para que a situação seja resolvida o mais breve possível pela empresa parceira”.

Leia nota completa da Tim

Informamos que não temos infraestrutura própria de rede fixa em Porto Alegre e atuamos por meio da contratação de empresas terceirizadas. A operadora irá apurar a situação da obra realizada na praça Daltro Filho e tomará as providências necessárias para que a situação seja resolvida o mais breve possível pela empresa parceira.

Leia nota completa da Smamus

A Secretaria do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (Smamus) realizou vistoria nesta quinta-feira, 04, na Praça Daltro Filho, e constatou vários problemas na obra realizada na calçada da praça. A fiscalização da prefeitura foi acionada para verificar as condições de entrega da obra e tomar as medidas necessárias para correção ou nova execução da obra.

A prefeitura informa que as permissionárias devem solicitar autorização para realizar o serviço de abertura de valas para instalação de tubulação de telefonia, energia elétrica, água, esgoto, gás e outros e são responsáveis por reparar danos causados às calçadas.

Denúncias devem ser feitas pelo 156.

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