Após um ano e sete meses da maior tragédia climática vivida pelos gaúchos, a população segue cobrando das autoridades locais mais agilidade e eficiência nas intervenções para conter futuros alagamentos, evitar novas perdas e sofrimento. Moradora do bairro Rio Branco, Maria Cândida Severo, que teve a casa invadida pela enchente de maio e precisou ficar por mais de um mês for a da sua moradia, questiona a prefeitura de Canoas sobre o cronograma de obras e sobre os serviços que estão sendo realizados no bairro.
"Seguimos nos sentindo abandonados a própria sorte. Não vemos movimentação das máquinas, nem de servidores no bairro. Não sabemos o que fato está sendo feito. O medo de uma nova inundação ainda está muito presente por aqui." Segundo ela, com receio de uma enxurrada, muitos vizinhos deixaram suas casas para se estabelecerem em outras cidades, menos atingidas pela grande enchente de 2024. "Precisamos de mais agilidade nestas intervenções para nos sentirmos seguros em nossas residências."
A prefeitura de Canoas informou que as obras do sistema de proteção contra cheias dos bairros Fátima e Rio Branco estão em andamento e são compostas por três frentes de trabalho, que avançam de forma simultânea para garantir maior segurança hídrica à região.
A primeira delas ocorre no Dique do Polder Rio Branco – chamado de Trecho II, e que ocorre entre a avenida Guilherme Schell até a Rua Henrique Dias. As obras deste trecho tiveram início em 30 de agosto e as intervenções incluem recomposição estrutural e reforço do sistema existente, assegurando a continuidade da proteção ao longo da faixa do dique. Este trecho, de acordo com o Executivo, está em fase de elaboração de projeto executivo.
Já o Dique do Polder Rio Branco, no Trecho III, entre a rua Henrique Dias e o V Comar) está atualmente com 24% das obras concluídas e o trabalho consiste em elevar o nível do dique e recompor áreas que foram fragilizadas, aumentando a capacidade de retenção e resistência.
A terceira etapa do cinturão de contenção do bairro corresponde ao Muro da Cassol (Trecho paralelo à Avenida Guilherme Schell). O muro de contenção, essencial para fechar a proteção da área, está com 65% do projeto executado e a estrutura complementa o sistema de diques, reduzindo o risco de infiltrações ou transbordamentos em pontos críticos. Esta obra começou em março deste ano e a previsão de conclusão é para o fim de 2026. Durante as enchentes de maio, o antigo muro que existia no local, se rompeu e foi o primeiro ponto por onde as águas começaram a entrar na cidade. O investimento é aproximadamente R$ 1,1 milhão e o muro terá um pouco mais de 5 metros de altura e 108 metros de comprimento.
A prefeitura de Canoas esclarece que divisão do sistema em três partes permite que as obras avancem de forma organizada e mais rápida, priorizando os trechos de maior urgência e garantindo que cada etapa seja executada com a robustez técnica necessária.
RECURSOS DO FUNRIGS PARA RECUPERAR ESTRUTURAS
O Governo do Estado depositou em julho a primeira parte dos recursos do Fundo a Fundo Reconstrução (Funrigs), programa do Plano Rio Grande para financiar a recuperação dos sistemas de proteção contra as cheias junto aos municípios atingidos pelas enchentes de maio de 2024. O valor aprovado para a cidade de Canoas foi de R$ 179,6 milhões, mas até o momento foram efetivamente liberados R$ 62,8 milhões. O valor pleiteado pelo Executivo foi de R$ 500 milhões para contemplar todas as obras de contenção das cheias.
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