Em parceria uma ação conjunta entre Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), a Federação das Instituições de Longa Permanência para Idosos do Rio Grande do Sul (Filpi-RS) lançou o Observatório do Idoso. A iniciativa busca monitorar e acompanhar a prestação de serviço das instituições de residência sem fins lucrativos que atendem a população acima dos 60 anos.
Fortalecimento das intituições
A primeira ação anunciada pelo recém criado Observatório, é a realização de uma pesquisa que busca revelar as condições das instituições, dos trabalhadores e voluntários e o perfil dos idosos atendidos por elas. Para a presidente da Filpi-RS, Analice Carrer, o levantamento de dados tem o objetivo de conhecer a realidade e, de forma mais assertiva, buscar apoio para o fortalecimento das instituições junto ao poder público.
“No momento que nós tivermos esses dados mais concretos, as prefeituras vão poder ter um número mais real da situação. Isso fornece uma base para buscar atender diretamente a necessidade que essas entidades têm, seja financeira, estrutural ou de pessoal. Todo esse esse alinhamento só vai ser possível pesquisando”, afirma.
Serviços de saúde
De acordo com o pró-reitor da UFCSPA e um dos responsáveis pela pesquisa, Luís Henrique Telles, muitas dessas instituições, que inicialmente se propunham a operar em uma lógica de seguridade social, têm desempenhado papel de serviço de saúde. Essa distinção acontece, principalmente, porque parte dos residentes apresentam algum grau de dependência, o que requer mão de obra especializada.
Uma vez que o nível de dependência dos hóspedes em uma determinada Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILP), influencia na especialização do serviço prestado e em suas demandas específicas, um dos objetivos da pesquisa é determinar o perfil dos profissionais e dos moradores em cada uma dos dez territórios estabelecidos pelo estudo em todo o Estado.
A primeira etapa do levantamento é realizada remotamente com o preenchimento de um formulário. A gestão de cada ILP deve classificar o nível de autonomia dos atendidos entre (1) autônomo; (2) parcialmente dependente ou (3) totalmente dependente. A última classificação diz respeito a idosos que precisam de auxílio para locomoção, alimentação e, muitas vezes, com baixo nível de consciência ou declínio cognitivo avançado.
“A nossa pesquisa quer ajudar é tentar entender como é que cada instituição está organizada em relação ao perfil do idoso e como a equipe está organizada para dar conta desses desafios de cuidados. Além disso, a legislação brasileira tem algumas normas da Anvisa que disciplinam o funcionamento de uma instituição asilar quanto a existência da de um profissional cuidador e a quantidade dos trabalhadores a depender do número de idosos e da área física da instituição” afirma Telles.
Desafios
Em uma segunda fase, também de forma remota, o levantamento busca aprofundar informações nas regiões com indicadores sobre os principais desafios das instituições referentes a qualificação profissional, estrutural, perfil dos idosos atendidos e gestão de recursos. A última etapa envolve a conferência das condições e informações in loco por amostragem em cada região.
O objetivo é que, a partir dos dados levantados pela pesquisa, seja possível, junto ao poder público, propor políticas públicas e o destino de recursos para atender às demandas específicas. As instituições de ensino superior também planejam acompanhar e promover capacitações específicas com a equipe de profissionais direcionadas a atender os desafios identificados com maior frequência por local.
A demanda é considerada cada vez mais emergente no Estado, uma vez que a população idosa vem ganhando maior proporção. Atualmente, o Rio Grande do Sul lidera no ranking nacional dos estados com maior proporção de pessoas idosas, com 21% da população acima dos 60 anos. Atualmente, a Filpi-RS representa 210 instituições, que acolhem cerca de 10 mil idosos em 158 cidades.