Cidades

Oficina apresenta a moradores da Região das Ilhas de Porto Alegre novo Plano Urbanístico Ambiental

Etapa faz parte do trabalho realizado por Universidade da Holanda e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que definirá diretrizes urbanísticas e ambientais a região constantemente afetada pelas cheias

Uma oficina comunitária aberta ao público reuniu cerca de 180 pessoas na Colônia de Pescadores Z-5, na Ilha da Pintada, neste sábado
Uma oficina comunitária aberta ao público reuniu cerca de 180 pessoas na Colônia de Pescadores Z-5, na Ilha da Pintada, neste sábado Foto : Mauro Schaefer

Na manhã deste sábado, 29, ocorreu na Colônia de Pescadores Z-5, na Ilha da Pintada, mais uma etapa do projeto urbanístico ambiental das ilhas no Bairro Arquipélago, em Porto Alegre. Uma oficina comunitária aberta ao público reuniu cerca de 180 pessoas, entre a equipe da Universidade TU Delft da Holanda e parceiros com representantes da comunidade do bairro, moradores e técnicos da prefeitura.

O trabalho, que está realizado pela Universidade TU Delft, da Holanda, e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), visa à elaboração de um ordenamento definindo diretrizes urbanísticas e ambientais para desenvolver o regime urbanístico específico para a região das ilhas (Pintada, Grande dos Marinheiros, das Flores, do Pavão e Mauá), que sofre com constantes alagamentos e foi duramente atingida pela enchente de maio. A universidade holandesa foi contratada pela Prefeitura de Porto Alegre.

A primeira reunião pública aconteceu nesta quinta-feira, 27, para compartilhar informações sobre o formato do trabalho, cronograma, canais de comunicação, metodologia do projeto, entre outros pontos. Na sexta-feira, a primeira oficina ocorreu para os técnicos colherem informações e compreenderem melhor as necessidades dos moradores da região.

O momento das oficinas é dedicado para a apresentação das etapas do projeto e da equipe técnica responsável. De acordo com Raquel Hädrich Silva, coordenadora do Eixo Social da iniciativa, é uma oportunidade de encontro entre moradores e equipe para esclarecerem como o trabalho será feito durante os 18 meses de duração do projeto.

A coordenadora explica que existem quatro projetos dentro da metodologia participativa: o informativo, por meio das oficinas expositivas e plantões de dúvidas, para expor e alinhar informações sobre o projeto; a etapa formativa, momento em que o saber técnico se conecta com o saber local, ocorrendo troca de saberes entre os moradores e a equipe responsável, que também estará sendo formada sobre o território das ilhas. Após, a etapa colaborativa, quando tem início às negociações. “Ao longo desses 18 meses, em todas as etapas do projeto, vão ser múltiplos formatos de interação para dar maior oportunidade possível de diálogo e de conseguir atingir negociações reais.”

A gente precisa entender, primeiro, o que funciona em termos de processo participativo. Então, vamos sempre estar em diálogo com as principais lideranças para entender se, de repente, o método deve ser adaptado, para que ele funcione. A gente quer aprender muito sobre como eles se organizam pra gente conseguir se adaptar à realidade deles, diz Raquel.

A coordenadora entende que a comunidade precisa de respostas rápidas, e por isso o projeto precisa ser construído com uma visão de longo prazo, para trazer segurança à região. Além disso, que as formações sejam em uma via de mão dupla, que os técnicos aprendam com a população e que a população também tenha igual acesso aos dados e projeções. "Por ser uma comunidade com tanta experiência em lidar com a dinâmica das águas, o projeto tem muito a aprender com as estratégias que eles já têm desenvolvidas aqui no território deles. E que isso precisa ser incorporado no plano para que a gente possa fortalecer essas redes que já existem e essas estratégias que já existem"

Beatriz Gonçalves Pereira, a Bia das Ilhas, moradora da Ilha da Pintada, enxerga as oficinas e as etapas iniciais do projeto como um grande passo. "Termos este projeto e estas oficinas acontecendo nas ilhas é muito importante, porque finalmente Porto Alegre deixa de ficar de costas para as ilhas e olha realmente para o Bairro Arquipélago. A outra questão é tirar esse peso que está sobre a cabeça de cada morador há anos, e ninguém se importa com isso. Vem a catástrofe e aí então o poder público acorda, mas nós como unidade já estamos falando há muito tempo que precisamos ter um olhar diferenciado". Também como conselheira do Orçamento Participativo, ela deseja garantir equipamentos de atendimento e, principalmente, a tranquilidade dos moradores.

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Sobre o Plano Urbanístico Ambiental

O projeto está sendo capitaneado pela pesquisadora Taneha Bacchin, da Holanda. A pesquisadora entende a complexidade do projeto, que envolve aspectos sociais, cultura, histórico social e do território, além de questões ambientais, ecológicas e questões econômicas envolvidas. Dimensões essas que compõem o contexto das ilhas e a sua dinâmica no Delta do Jacuí.

Ela enxerga o projeto estruturado na participação e na e escuta sensível e aberta. "Infelizmente, o Rio Grande do Sul e o Delta do Jacuí estão em um contexto de condições extremas climáticas agora. Então, é muito importante que o projeto seja desenvolvido na união do conhecimento de todos, entender qual é o histórico, os valores, a identidade tão única das ilhas e, a partir desse entendimento, projetarmos as ações futuras para melhorar a qualidade de vida de todos”.

De acordo com a pesquisadora, o projeto de estudos e pesquisa iniciará com a fase de diagnóstico socioambiental, a partir da entrega do plano de trabalho. Na sequência, a análise de risco e vulnerabilidades, principalmente dos cenários climáticos e como eles formam o zoneamento do risco nas ilhas e das áreas mais expostas às menos expostas, seguindo pelo estudo de como permanecer nas ilhas a partir desses diferentes gradientes de risco.

Assim, o desenvolvimento do plano urbanístico ambiental, das ilhas, de acordo com as definições de formas de viver, melhorias do ponto de vista infra-estrutural, do espaço público, da convivência da comunidade, da qualidade do espaço. Concluindo, por fim, com um plano de intervenções com intervenções chaves que visam a assegurar a qualidade de vida do novo do ambiente da população, que terá um plano de monitoramento contínuo.