Cidades

Polícia Civil pede laudo ao IGP para apurar possíveis crimes ambientais em caso do navio encalhado em Triunfo

Embarcação está em meio a um canal de irrigação de água desde as enchentes de maio

Navio encalhado em plantação na zona rural de Triunfo
Navio encalhado em plantação na zona rural de Triunfo Foto : Pedro Piegas

A Polícia Civil solicitou ao Instituto-Geral de Perícias (IGP) um laudo para apurar possível crime ambiental no caso do navio Hernave II, encalhado desde as enchentes de maio em uma propriedade rural particular, pertencente a Edson Saccon, na localidade do Passo Raso, em Triunfo, na Região Metropolitana. Com 77 metros de comprimento, a embarcação foi transportada pela água do rio Jacuí até um canal de coleta de água para irrigação do plantio de arroz, e, desde então, impede o pleno funcionamento do sistema na fazenda de 400 hectares.

A chegada de dias mais quentes e menos possibilidades de chuvas traz uma preocupação adicional ao produtor, já que é necessária mais água do rio para o canal. De acordo com a delegada Samieh Saleh, titular da Delegacia do Meio Ambiente do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Dema/Deic), peritos deverão ir ao local para apurar informações a fim de subsidiar o laudo, mas ainda não há prazo para isto, tampouco para sua conclusão.

“Se houver indícios, vamos atuar responsabilizando quem precisa ser responsabilizado, ou, se não, finalizaremos o inquérito”, disse ela. Sem este laudo, não há avanços por ora. Antes das denúncias, foram contatadas a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a Prefeitura de Triunfo, a Marinha do Brasil, o Ibama e a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Além de uma notícia-crime na Polícia Civil, há em curso uma ação civil com pedido de reparação de danos contra o proprietário do navio e do estaleiro onde ele estava antes das cheias. A embarcação está em estado de abandono, e a única identificação pode ser visível no casco do navio. O canal onde ela está possui dois metros de profundidade, sendo considerada inviável sua remoção sem outros navios de apoio.

Saccon relatou que não estava em casa quando as enchentes chegaram, e, quando retornou, o navio estava estacionado a cerca de 500 metros de onde está parado atualmente. Houve tentativas de removê-lo, porém apenas foi possível deslocá-lo. A reportagem também buscou entrar em contato reiteradas vezes com o dono do Hernave II e do estaleiro local para obter um contraponto à questão, mas em todas as tentativas, não obteve retorno.