A Polícia Federal investiga mais uma manifestação de cunho racista registrada na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) neste ano. Na última terça-feira, uma professora encontrou as frases escritas e o desenho de uma suástica dentro do prédio do Diretório Acadêmico das Ciências Sociais. O caso foi levado por ela e um grupo de estudantes à sede da PF. Segundo a denúncia, foram encontradas as frases “Fora macacos”, “Brancos no topo”, com o nome de três estudantes do curso. Outras duas manifestações de cunho racista e que seriam direcionadas contra estudantes da instituição foram registradas em agosto e setembro, no Diretório do Direito.
Conforme o delegado Diogo Caneda, as equipes realizaram perícia no local e estão reunindo elementos para tentar identificar a autoria. “Lamentamos que no local não existe câmera, o que prejudica em parte o trabalho, mas a investigação está sendo realizada, assim como os outros dois casos que ocorreram na instituição.”
O reitor da UFSM, professor Paulo Burmann, afirmou que a instituição continua trabalhando junto com a Polícia Federal para responsabilizar os responsáveis pelos ataques que vêm provocando constrangimento às pessoas de todos os segmentos da UFSM. Segundo ele, no momento que ocorrer a identificação dos responsáveis, eles serão punidos com rigor: “Se o responsável identificado participa da instituição como estudante será expulso e se o integra o quadro de funcionário será exonerado".
Universidade repudia qualquer intolerância
Em comunicado oficial, a UFSM afirmou que “repudia veementemente toda e qualquer intolerância, reiterando seu compromisso com as políticas públicas de inclusão, que continuarão a oferecer oportunidades para negros, pobres, indígenas e todos os que precisam de um espaço que historicamente lhes têm sido negado”.
Os regulamentos internos, em conformidade com a legislação brasileira, estão sendo revistos e adequados para oferecer suporte às investigações e punição a qualquer ato de racismo, assédio e ataques gerais aos direitos humanos no âmbito da universidade. Na esfera criminal, os casos também estão sob investigação da Polícia Federal (órgão responsável por esse trâmite) e coordenações de cursos, chefias de departamento, direções de unidade e administração central da UFSM têm colaborado, prestando todas as informações necessárias, como não poderia deixar de ser.
A UFSM oferece seu apoio institucional, solidariza-se, mantém o permanente diálogo com os estudantes negros que sofreram tal violência, caracterizada pela intolerância e pelo ódio, e reafirma o compromisso com uma educação transformadora e inclusiva, que seja capaz de conduzir e fomentar o respeito e a aplicação de políticas públicas na busca do equilíbrio das persistentes diferenças de raça, de etnia, de gênero, de orientação sexual, de classe e de idade.
O Grupo GT Negros também se manifestou sobre o caso, destacando que “esta é a terceira vez que estudantes negros são agredidos direta e violentamente dentro da instituição” e que repudia “toda e qualquer atitude racista e discurso de ódio que vem crescendo neste tempo de avanço conservador social”. Também afirmou esperar que a UFSM tome medidas efetivas contra atitude racista ou preconceituosa, punindo os responsáveis e implementando políticas de educação antirracista em seu currículo acadêmico.
Polícia Federal investiga manifestação racista dentro da UFSM
Professora encontrou frases e desenho de uma suástica no banheiro da universidade