Como uma oportunidade de aproveitar o Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, estudantes do segundo ano do Ensino Fundamental de 21 escolas de Porto Alegre participam nesta segunda-feira de uma aula de educação ambiental por meio do teatro. A edição do Recicladamente, projeto de educação ambiental da Cootravipa, em parceria com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), utiliza a arte para aproximar crianças e adolescentes de temas como separação de resíduos, descarte correto e reaproveitamento de materiais.
Ao longo do dia, mais de mil crianças devem assistir à peça teatral. A história é da dona Marlene, que trabalha em uma unidade de triagem. Na parceria do senhor Resíduo, ensina as crianças a como separar corretamente os resíduos, além de ensinar que muitas famílias dependem do material para vendê-lo.
O projeto é levado à Secretaria Municipal de Educação para a adesão das escolas. A vice-presidente da Cootravipa, Michele Fernandes, ressalta que as crianças são motores para que a conscientização se espalhe na sociedade, e que a peça, além do valor ambiental, também é social. “Muitas famílias de unidade de triagem dependem desse trabalho e dessa segregação, e a gente traz isso no teatro para realmente trazer essa consciência às crianças”, disse.
Entre as escolas municipais presentes, estava a de Ensino Fundamental Vereador Antônio Giúdice. A professora Maíra da Cunha destacou que a atividade se une às outras que as crianças têm acesso no dia a dia. "Os anos escolhidos para vir assistir à peça são bem importantes, porque quando a gente começa a trabalhar, a cidade e o bairro, dentro disso eles já vivenciam a questão da coleta lá na nossa escola", explicou.
Nas salas de aula, as lixeiras são coloridas, com uma sinalização para que as crianças identifiquem onde destinar o lixo corretamente. Outra ação envolve a conscientização para o desperdício de alimentos. A turma também usa o sistema de biodigestor, em que aproveitam restos de cascas de alimentos, que produzem um gás, para alimentar um pequeno fogão na cozinha.
Nas palavras da diretora de Gestão e Educação Ambiental do DMLU, Andrea Ramme, as crianças são herdeiras do futuro, com um papel central em levar a informação da reciclagem correta. "É a partir da sala de aula que eles já começam a lidar com a importância da separação correta dos resíduos e de praticar, levando isso para os seus lares. Ao propor o tema de forma transversal, que seja no ambiente escolar, nada melhor para implementar isso no cotidiano, e que não seja falado somente em datas pontuais durante o ano", disse.
A gestora avalia que ainda há muitos desafios presentes na gestão de resíduos, principalmente quando envolve o setor de eventos. "É de extrema importância que quando um setor vai realizar algum tipo de atividade, já tem que ter previamente essa organização do planejamento no que diz respeito à gestão de resíduos, saber o que o evento vai gerar, como vai separar e como vai destinar", afirma.
Desde a primeira edição, mais de 8 mil crianças já foram impactadas pelo projeto, calcula Michele. Além do espetáculo teatral, a cooperativa também promove outras atividades: por meio da pet terapia, as equipes vão às escolas com a presença de fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais, que promovem um encontro entre animais domésticos e crianças atípicas.
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