Cidades

Porto Alegre: demolição do Esqueletão será acelerada e deve terminar em setembro

Responsável técnico disse que vários fatores podem ser considerados para esta projeção, enquanto Prefeitura de Porto Alegre vistoriou local nesta semana

Demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão, no Centro de Porto Alegre
Demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, o Esqueletão, no Centro de Porto Alegre Foto : Camila Cunha

Deve ser concluída em setembro a demolição do Edifício Galeria XV de Novembro, popularmente denominado Esqueletão, no Centro Histórico de Porto Alegre, segundo o responsável técnico pela obra, o engenheiro Manoel Jorge Diniz Dias, o Manezinho da Implosão, da empresa FBI Demolidora. Para isso, a equipe responsável pelo processo dobrará já a partir da semana que vem.

"Uma vez que a implosão foi descartada, resolvemos incrementar a equipe, para contemplar o esforço da Prefeitura em eliminar esse cartão de visita negativo do centro histórico de Porto Alegre”, disse Dias. “Naturalmente, esta projeção como término dos trabalhos de demolição, depende de vários fatores, que somados conspiram a favor de que obtenhamos êxito nessa empreitada. A FBI não tem se furtado em atender as demandas da Prefeitura para conclusão dos serviços o quanto antes”, acrescentou, destacando também que a empresa está satisfeita com os resultados. A obra também não teve acidentes registrados até o momento.

Contatada, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Smoi) disse que enviará um posicionamento sobre a questão, mas a Prefeitura fez uma vistoria técnica no local nesta semana. A disputa envolvendo o Esqueletão é antiga. Com 19 andares e 13 mil metros quadrados de área construída, ele está sendo demolido de maneira manual, após a Prefeitura decidir não mais implodir a estrutura, cujas paredes de tijolos à vista estão erguidas entre as ruas Marechal Floriano Peixoto e Otávio Rocha, no coração do bairro.

Comerciantes próximos divergem quanto ao barulho

Há mais de 20 anos, o edifício apresenta vaivéns quanto à sua derrubada, havendo também, desde então, disputas judiciais e, finalmente, a oficialização do método da queda, de maneira que haja o mínimo de prejuízos aos comerciantes e moradores da área, segundo a Prefeitura. Quem trabalha pela área conhece como poucos as dores de cabeça causadas pelo espigão, construído na década de 1950 e nunca concluído. “O pessoal já se acostumou com o barulho por aqui”, comenta o comerciante Enoir Hendler, vendedor de frutas no Centro Histórico há mais de 40 anos.

“O grande problema deste prédio é que a fundação foi muito fraca, e não dá conta do peso dele todo”. Hendler afirmou ter ouvido que cada equipe trabalhará em um sentido do prédio, e ambas farão a derrubada, ainda manual, de forma coordenada. Também comerciante local, mas de roupas, Vera Regina Teixeira da Silva está na Praça XV há cinco anos. Ela classificou o barulho como “terrível”. “É muito alto, principalmente quando os trabalhadores estão atirando as caliças, e também quando a britadeira está trabalhando. Mas faz parte, o Centro é assim, e a gente vê de tudo”, comentou Vera.

Em nota, a Prefeitura de Porto Alegre afirmou que a conclusão das obras deve ocorrer no final de 2025.

Histórico do Esqueletão

O Esqueletão é obra da antiga Sociedade Brasileira de Construção, e ainda em 1988, a Prefeitura obteve interdição judicial parcial nele. Em 2003, o município ingressou com ação civil pública pedindo a interdição e desocupação irregular, e dois anos depois, voltou a interditar andares e salas desocupadas. Nova ação civil pública é aberta em 2012, desta vez pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), mas agora contra os proprietários e o município. A Prefeitura fez avaliação técnica em 2018, atestando grau de risco crítico da edificação.

Um ano mais tarde, a administração municipal requereu à 10ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do RS (TJRS) a interdição e desocupação total, até laudo definitivo garantir a estabilidade do prédio, assim como houve nova intervenção do MPRS. Na época, três andares estavam ocupados por moradias, e o térreo por comércios. Isto começou a ser cumprido em dezembro de 2019, assim como foi implementado um plano de ação para a desocupação, interrompido pela pandemia.

Mais um pedido de mandado para desocupar o Esqueletão foi requerido pela Prefeitura em outubro de 2020, e, em 2021, a gestão municipal contratou o Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (Leme) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para elaboração do laudo técnico. Em agosto de 2021, a Justiça notificou moradores e comerciantes sobre decisão que determinou a retirada da ocupação em até 30 dias, o que, de fato, ocorreu em 26 de setembro daquele ano.

O município foi à esfera judicial em agosto de 2022, pedindo autorização para demolir o prédio, a partir da conclusão do laudo da UFRGS, o que foi concedido, e a operação mista, inicialmente combinando demolição e implosão, foi anunciada pela Prefeitura em agosto de 2023. Inicialmente, o custo estimado foi de R$ 3,9 milhões, e prazo de 120 dias. O contrato com a FBI Demolidora, por dispensa de licitação, foi assinado em 22 de dezembro de 2023, vigente de janeiro de 2024 até julho deste ano, e o custo reduziu para R$ 3,7 milhões. Inicialmente, previa-se demolir manualmente os nove andares superiores da torre principal e das duas laterais.

Os dez andares restantes da principal seriam implodidos, processo que obrigaria a evacuação de grande parte do Centro Histórico. Logo após o início dos trabalhos, em fevereiro de 2024, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) determinou a paralisação, por condições consideradas inseguras aos trabalhadores. A retomada ocorreu somente em janeiro deste ano, quase um ano mais tarde. No último mês de maio, houve a decisão da Smoi), juntamente com a FBI Demolidora, em modificar o formato de demolição, quando, na ocasião, nove andares já haviam sido retirados manualmente.

Veja Também