O bairro Anchieta, na zona Norte de Porto Alegre, completou 27 dias de inundação. A região conta com dois motores em funcionamento na casa de bombas número 6, um trator e mais duas bombas flutuantes cedidas por um produtor de arroz. O problema é que a água, que no auge da cheia ultrapassou 2 metros em alguns pontos da localidade, nesta sexta-feira permanece em 1,1 metros e se recusa a baixar.
Os moradores são obrigados a tripular botes e barcos para a acessar ruas no coração do bairro. Eles utilizam pelo menos dois pontos de embarque, sendo um na Avenida dos Estados e outro, na Severo Dullius.
O bairro Anchieta reúne cerca de 1,5 mil empreendimentos, sendo o nono maior gerador de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (Issqn) na Capital. A maior parte dos negócios permanece de portas fechadas por conta da água.
O bancário Diego Kataguire, de 37 anos, é um dos porta-vozes do bairro. Ele alerta que a inundação ameaça a geração de renda e a criação de empregos em Porto Alegre.
“Há relativamente poucos moradores no bairro , aproximadamente 700, mas a concentração de empresas é grande. Os proprietários estão acumulando prejuízos e não sabem como farão para pagar o salário dos funcionários. Estamos em uma situação extremamente precária”, disse o morador.
Ainda na região, o entorno do aeroporto também está inundado e inviabiliza o fluxo de veículos. O acesso da avenida Zaida Jarros foi liberado, mas a área ainda está coberta por lama e o odor do esgoto paira no ar.