Cidades

Prazo encerra, mas moradores decidem não desocupar casas da vila Brasília, no bairro Sarandi

Prefeitura de Porto Alegre aguarda retirada de famílias para retomar obras no dique que protege o bairro contra cheias

Moradores pretendem aguardar resolução do processo de aquisição de novos imóveis através do programa Compra Assistida para desocuparem suas casas
Moradores pretendem aguardar resolução do processo de aquisição de novos imóveis através do programa Compra Assistida para desocuparem suas casas Foto : Pedro Piegas

Mesmo com o fim do prazo dado pela prefeitura de Porto Alegre para que as 57 famílias da rua Aderbal Rocha de Fraga, no Sarandi, desocupem a área em razão das obras emergenciais que serão realizadas no dique, muitos moradores se recusaram a deixar o local. Na manhã desta segunda-feira, alguns deles espalharam faixas na frente das casas criticando as garantias e programas oferecidos.

Segundo a prefeitura, a remoção das famílias é necessária para que as construções sejam demolidas, possibilitando a recuperação da estrutura do sistema de proteção contra cheias do bairro. Uma das casas que precisarão ser derrubadas para a obra é a de Mariane Friedrich, de 34 anos, que mora desde os 2 anos no Sarandi e há 20 anos na mesma residência.

Ela afirmou que não sairá do local enquanto não tiver melhores garantias e, principalmente, encaminhamento de um novo imóvel no Compra Assistida. No portão de sua casa, uma faixa com a frase “Mil reais não sustenta uma casa”, como forma de criticar, segundo ela, o baixo valor oferecido pela prefeitura através do programa Estadia Solidária.

“Eu não vou sair da minha casa por esse valor. Não tem como alugar um imóvel em Porto Alegre por esse valor. Também teríamos que arcar com duas mudanças, já que estamos aguardando também um novo imóvel pelo Compra Assistida. Estamos lutando desde o início e, hoje, eu não vou sair daqui. Meu nome consta na lista (do Compra Assistida), já entrei com toda a documentação mas o processo não anda. Seria mais fácil que isso fosse agilizado. No momento que mandarem eu assinar a compra do novo imóvel, eu saio daqui na mesma hora”, reforçou.

Ainda pela manhã, alguns moradores participaram de uma reunião com uma equipe jurídica da Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares (Renap). No encontro, foram passadas orientações para as famílias. “Se eles sabiam que teríamos que sair daqui, então não deveriam ter nos dado auxílios após a enchente para voltar ao local, como os R$ 5,1 mil”, relatou um dos moradores no encontro. “Queremos sair, mas com as chaves do novo imóvel na mão”, replicou outro.

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O que diz a Prefeitura

Procurado, o Departamento Municipal de Habitação (Demhab) reforçou que seguirá trabalhando através do diálogo com as famílias e que muitas casas já estão desocupadas. De acordo com a pasta, das 57 famílias que precisam deixar o local, 47 estão confirmadas no programa Compra Assistida, mas apenas 15 já assinaram o contrato que autoriza a demolição das casas no bairro Sarandi.

Questionado sobre o que falta para encaminhar uma solução para o restante das famílias, o Demhab ressaltou que alguns casos apresentaram inconsistências em cadastros, mas que já existem negociações para a resolução das situações. Cinco famílias tiveram seus dados enviados para a Caixa Econômica Federal em Brasília (que toda o programa Compra Assistida) e os demais casos serão tratados individualmente.

Já o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) salientou que a obra no dique do Sarandi será retomada apenas quando todas as 57 famílias desocuparem a área. Nesta manhã, o trabalho com uma retroescavadeira no dique, enquanto os moradores participavam da reunião, chegou a causar apreensão de que algumas casas pudessem ser demolidas. Entretanto, servidores do Dmae que estavam no local garantiram que a máquina seria utilizada apenas para a construção de um novo acesso para a estrutura em um terreno já desocupado.