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Prefeitura instala geradores provisórios no Complexo do Porto Seco após operação contra furto de energia elétrica

Objetivo é garantir a continuidade das atividades das escolas de samba para o Carnaval, mantido para os dias 27 e 28 de fevereiro

A CEEE Equatorial deve realizar a ligação de baixa tensão na próxima semana, e os barracões passarão a operar com energia da rede
A CEEE Equatorial deve realizar a ligação de baixa tensão na próxima semana, e os barracões passarão a operar com energia da rede Foto : Pedro Piegas

A prefeitura de Porto Alegre instalou geradores provisórios no Complexo Cultural do Porto Seco nesta quinta-feira, com o objetivo de garantir a continuidade das atividades das escolas de samba no período pré-Carnaval. A ação ocorreu após diálogo entre o Executivo, as ligas carnavalescas e a CEEE Equatorial, que havia desligado a energia em operação da Polícia Civil para coibir o fornecimento irregular nos pavilhões, conhecido como “gato”.

Foram instalados seis geradores de 115kVA, dois por módulo, com capacidade para atender toda a estrutura. De acordo com as escolas de samba, as estruturas já estão operando desde o início da tarde.

Segundo nota enviada pela prefeitura, a CEEE Equatorial deve realizar a ligação de baixa tensão na próxima semana, com instalação de estrutura padrão por parte do município. A partir dessa etapa, os barracões passarão a operar com energia da rede, com os geradores mantidos como suporte. O projeto definitivo prevê a instalação de rede de média tensão e individualização do fornecimento de energia para cada barracão.

O planejamento elétrico faz parte do projeto de reestruturação do complexo, com foco em segurança e regularização das instalações.

Escolas chegaram a alugar geradores por conta própria

Pelo menos quatro escolas de samba chegaram a alugar geradores para continuar os trabalhos das suas alegorias. Entre elas, a escola Imperatriz Dona Leopoldina. Júnior Gonçalves, diretor de carnaval da agremiação, afirmou que deverá utilizar os ofertados pela prefeitura. Ainda, afirmou que a operação pode ter impactado parte dos trabalhos para os desfiles do Carnaval 2026, que estão mantidos para os dias 27 e 28 de fevereiro. “Agimos rápido para minimizar, mas um dia de trabalho parado impacta muito sim, pois estamos há poucos dias do desfile. Mas as ligas, junto à prefeitura, agiram rápido e estão solucionando o problema”, afirmou.

O presidente da Estação Maior da Restinga, Aldo Luis Rabelo Carlos, chegou a instalar um pequeno gerador na quarta-feira, mas agora utiliza a infraestrutura elétrica temporária. Segundo ele, os trabalhos para o Carnaval não devem atrasar, pois já estão com boa parte do trabalho concluída. As equipes estão trabalhando nos barracões das 9h às 22h. “Nós começamos em setembro, não tem por que atrasar, porque pela primeira vez no Carnaval a gente recebeu no final de julho o cachê”, disse.

Sobre a operação da polícia, o presidente da agremiação afirmou que tinha conhecimento da energia irregular, mas que o projeto da reestruturação do complexo já estava em andamento há muito tempo. “Eles [CEEE Equatorial] sabiam que a gente usava a luz assim. Não entendi por que eles fizeram isso ontem, podiam muito bem vir e conversar”, disse.

Outras escolas de samba procuradas pela reportagem, além dos responsáveis pelas ligas, optaram por não se manifestar sobre o caso. As ligas, União das Entidades Carnavalescas do Grupo de Acesso de Porto Alegre (UECGAPA), que representa 19 escolas de samba da Capital, e União das Escolas de Samba de Porto Alegre e Região Metropolitana (Uespa), composta por oito escolas de Porto Alegre e municípios do entorno, emitiram uma nota conjunta na quarta-feira.

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Operação descobriu prejuízos de R$ 225 mil mensais

De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo financeiro total do fornecimento de energia elétrica irregular ainda está sendo apurado, mas é estimado que cada um dos pavilhões era responsável por déficit mensal de cerca de R$ 15 mil à concessionária, ou seja, R$ 225 mil por mês nos 15 pavilhões.

A delegada de Polícia Fernanda Drews Amorim, da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio das Concessionárias e dos Serviços Delegados, afirmou que a prefeitura de Porto Alegre e os responsáveis receberam diversas notificações pela concessionária de energia elétrica pela prática ilícita. "Toda a população que circunda os arredores do Porto Seco estava pagando taxas de iluminação pública e simultaneamente pagando pelo consumo das próprias escolas. A energia consumida, na verdade, além de inadimplida, o pagamento do custo operacional dela está sendo pago por terceiros", disse.

A Operação, chamada Luminis, foi organizada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio das Concessionárias e dos Serviços Delegados, em conjunto com o Instituto Geral de Perícias (IGP) e a CEEE Equatorial. Com o inquérito policial em andamento, será feita a apuração criminal das responsabilidades pelo crime, além das esferas administrativa, cível e do poder executivo municipal.