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Prevenção pode ter evitado incêndio em prédio no Centro Histórico

Síndica de edifício grudado ao casarão que incendiou na quarta-feira destacou que condomínio havia tomado atitudes para evitar as chamas

Na manhã desta quinta-feira, os bombeiros seguiam realizando o rescaldo no prédio da rua Vigário José Inácio
Na manhã desta quinta-feira, os bombeiros seguiam realizando o rescaldo no prédio da rua Vigário José Inácio Foto : Carmelito Bifano / Especial CP

Leonilda Strack, de 63 anos, é síndica do edifício Nautilus, que fica na rua Vigário José Inácio, 295, no Centro Histórico, de Porto Alegre. Graças a uma iniciativa dela e do condôminos o prédio "escapou" de pegar fogo na última quarta-feira, quando um casarão da Marechal Floriano Peixoto, vizinho da edificação, foi praticamente consumido por um incêndio. O Nautilus tem 11 andares de apartamentos e cinco de comércios. Após deliberação no condomínio e com o auxílio do judiciário, os locais que eram utilizado de estoques de roupas, eletrônicos, brinquedos e outras mercadorias foram desocupados.

"Moro no condomínio há 26 anos, fui reeleita síndica e quis regularizar o prédio (de acordo com as regras), porque havia muitas áreas obstruídas (com mercadorias), que eram rotas de fugas e isso poderia complicar o trabalho dos Bombeiros. Foram muitos dias e muitos caminhões de mercadorias retiradas do prédio", destacou Leonilda.

Com a ajuda do judiciário e de lojistas, os espaços lotados de objetos que seriam comercializados foram sendo desocupados. "Trabalhamos com uma teoria, tudo que é descartável vem para frente, não para trás. Porque lá ficam as escadarias, que é a única rota de fuga e circulação dos dos bombeiros", acrescentou.

Leonilda é brigadista e organizou a saída dos moradores com tranquilidade. Ela fez questão de elogiar o trabalho feito pelas forças de segurança no episódio, em especial os bombeiros. "Eles fizeram um excelente trabalho. Precisamos cobrar das autoridades competentes mais investimento para eles. O Centro Histórico é o centro nervoso da cidade. Estamos felizes com o embelezamento (que a região recebeu), mas precisamos de mais. Precisamos regularizar essa área (no sentido de dar mais condições de trabalho aos bombeiros), pois os prédios são todos juntos e, se um pegar fogo, pode passar de um para o outro. É muito bom morar aqui, mas é um perigo eminente", destacou.

Na frente do prédio havia um hidrante, mas ele foi retirado para as reformas do quadrilátero. Com isso, os bombeiros precisam andar meia quadra para recarregar a água. "Temos uma equipe com 22 brigadistas, que souberam informar com perfeição as autoridades. Os bombeiros vieram muito rápidos e nosso prédio está ali (apontando para o edifício). Está interditado porque a fumaça é tóxica", informou.

Leonilda conta que chegou do trabalho por volta das 14h e resolveu deitar no sofá para descansar. "Houve um estrondo muito grande e imediatamente as chamas chegaram na altura da minha janela (quinto andar)", lembrou. "Como sou brigadista, desci rapidamente e vi que não tinha nada no nosso prédio, mas chamei os lojistas para que ficassem alerta. Temos um grupo de mensagens com 86 pessoas, que se comunicaram e orientamos todos a descer. Mesmo com muitos idosos no prédio, eles tiveram que descer pelas escadas, mas com tranquilidade".

A maioria foi para casa de amigos ou para hotéis da região. O retorno definitivos dos moradores dependerá da avaliação da perícia. A região também foi bastante atingida pelas águas das enchentes de 2024.

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