Uma iniciativa da Associação Cultural Vila Flores quer fomentar a retomada de pequenos coletivos e empreendimentos comunitários do 4º Distrito que foram atingidos pelas enchentes de 2024. Lançado na noite desta quarta-feira, em Porto Alegre, o Programa Palafita prevê o financiamento de equipamentos, mentoria a empreendedores, oficinas voltadas à geração de renda e a criação de laboratórios de estudos e práticas relacionados às questões socioambientais que incidem sobre o território.
A iniciativa também prevê a realização de eventos abertos ao público, com o objetivo de ampliar o debate sobre crise climática, justiça socioambiental e reconstrução comunitária. A proposta é articular conhecimento técnico, práticas populares e redes de solidariedade para fortalecer a capacidade de resposta das comunidades de baixa renda frente a eventos extremos.
Financiamento e capacitação
O programa é coordenado por Aline Bueno e Liege Biasotto e está estruturado em quatro eixos principais. No primeiro, serão selecionados 20 empreendimentos para receber até R$ 11 mil. Podem se candidatar projetos localizados nos bairros Floresta, São Geraldo, Humaitá, Farrapos e Navegantes. “A gente percebe que muitas comunidades não conseguiram ainda se reerguer totalmente. Então, por exemplo, um grupo que quer fazer atividades com crianças às vezes não tem um tatame, não tem uma estrutura para recebê-las. São coisas absolutamente simples: um armário para guardar materiais, uma impressora, um computador”, explica Aline.
Ela ressalta que as atividades devem ser comunitárias e formais, com registro de pessoa jurídica. As inscrições abrem nesta quinta-feira e vão até o dia 20 de abril. Além do recurso financeiro, os empreendedores vão receber dois meses de mentoria de negócios.
O segundo eixo do programa inclui uma série de oficinas gratuitas com temas como costura, gastronomia, desenvolvimento de aplicativos e sites, construção civil e empreendedorismo. “Ao final desse ciclo de oficinas, haverá feiras em que os produtos e serviços desenvolvidos serão comercializados aqui no Vila Flores. Então, a gente fecha um ciclo: aprende, mas também vende os produtos e serviços”, pontua Aline.
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O terceiro eixo será a reestruturação da sede do Vila Flores, também muito impactada pela enchente. O quarto e último eixo prevê uma série de laboratórios de estudos no espaço, para atender às demandas das comunidades em áreas como empreendedorismo social e ambiental, alimentação e planejamento urbano. “Assim, se fecha um ciclo: a gente concede recursos, capacita e promove encontros mensais dos laboratórios com a comunidade para contribuir com políticas públicas que beneficiem essas comunidades. Tudo gratuito e voltado às populações de baixa renda do 4º Distrito.”
O programa prevê atividades até 2028. Os recursos são oriundos do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal. “É um projeto para que iniciativa privada, universidades, poder público e comunidades estejam juntos. Por isso, esse convite é tão importante: para que todos participem.”
As informações completas estão disponíveis no Instagram do Vila Flores.